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Alavancas de trólebus em rede aérea no centro de São Paulo (Foto: Thiago Silva)

Após a desativação parcial do sistema trólebus entre os anos de 2002 e 2004, as linhas ficaram concentradas, basicamente, na zona leste da cidade, atendendo a terminais como o São Mateus, Vila Carrão, Penha e Vila Prudente. E para atender esses locais, há alguns corredores viários importantíssimos. É o caso da Avenida Celso Garcia.

A referida avenida conecta a região do Brás até a Penha. São 6 km de extensão, entre a Avenida Rangel Pestana e a Rua Coronel Rodovalho, logo após o Viaduto Alberto Badra e pontilhão da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A via é dos principais eixos de deslocamento de linhas de ônibus em direção à zona leste.

Atualmente, na Celso Garcia, passam apenas duas linhas de trólebus: a 2290/10 – Terminal São Mateus/Terminal Pq. Dom Pedro II e a 342M/10 – Terminal São Mateus/Terminal Penha. A primeira percorre quase toda a extensão da via, a partir da Rua Antônio de Barros até o centro. Juntas, as duas linhas possuem por volta de 90 veículos. Mas no passado não era assim.

Entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000, na avenida circulavam, além das já citadas, as linhas 2280/10 – Terminal Vila Carrão/ Terminal Pq. Dom Pedro II, 2340/10 – Terminal Penha/ Terminal Pq. Dom Pedro II, 207U/10 – Terminal Aricanduva/Butantã-USP e 702P/10 – Pinheiros/Belém. Somadas com as linhas 2290 e 342M, a frota dessas linhas beirava os 150 veículos, ou seja, pouco menos de 1/3 de todo o sistema paulistano.

Tal situação fez com que a Celso Garcia fosse considerada uma das espinhas dorsais do sistema. E mesmo após a desativação parcial, e com a operação apenas de duas linhas, a via é considerada, praticamente, a única espinhal dorsal. Com seus quase 90 veículos, as linhas 2290 e 342M, utilizam quase metade de toda a frota da Garagem Tatuapé.

E desde que um novo contrato de manutenção e modernização foi assinado com a nova empresa, no início dos anos 2010, vários trechos foram restaurados, dando maior confiabilidade e velocidade ao sistema, como a rede da Vila Formosa, Mooca, Ipiranga e Pacaembu. Mas a rede da Celso Garcia foi deixada para o final. E dizem que por parte da São Paulo Transporte (SPTrans) a alegação era que por conta do projeto o corredor na avenida, a rede só seria trocada com a implantação desta estrutura, realizando o trabalho uma única vez. Até faz sentido, porém não há prazos para que esse corredor saia do papel. Sendo assim, mais do que necessário reformar a rede, até porque, a linha 2290 é a mais demandada e mais longa do sistema.

Por esse motivo, após vermos notícias a respeito dessa modernização, solicitamos informações junto à SPTrans por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) da prefeitura de São Paulo e recebemos a seguinte resposta:

“Quanto às questões sobre a rede elétrica, informamos que até o presente foram modernizados 4,867 Km de rede de contato, o que corresponde a 32,6 % do total da obra. Os serviços foram iniciados em 20/02/2020 com término previsto para 19/10/2020, atendendo ao especificado na Ordem de Serviço emitida para esta obra.”

Como a resposta ficou, digamos, meio vaga, entramos em contato com o especialista em trólebus, Jorge Françozo de Moraes que nos afirmou que a extensão básica da Celso Garcia é de 7,3 km de rede dupla ou 14,7 km de rede simples. Segundo ele, os trechos começam na Avenida Rangel Pestana, um pouco antes da Rua Vasco da Gama até a Rua Cesário Galero e, na volta, desde a Cesário até o Largo da Concórdia, incluindo a Rua do Gasômetro também. Até o momento, o trecho modernizado é desde a Rua José de Alencar até a Salim Farah Maluf.

Françozo ainda afirma que provavelmente o próximo trecho a ser modernizado será entre a Avenida Salim Farah Maluf até a Cesário Galero, depois da Rua José de Alencar até o Largo da Concórdia e, por último, a Avenida Rangel Pestana e Rua do Gasômetro.

Com a modernização da rede aérea, os trólebus podem desenvolver uma velocidade maior, mesmo com a situação ruim da Avenida Celso Garcia, que mostramos em outro artigo. Veja que desde a desativação parcial do sistema, esse trecho da avenida ficou subutilizado, ou seja, poderiam operar mais linhas.

Mas no que consiste a modernização, vocês devem estar se perguntando? A julgar pelos outros trechos já reformados, haverá a troca de segmentos rígidos por flexíveis, correção geométrica de curvas, substituição da rede de contato e até o reposicionamento da rede aérea, dependendo do trecho.

De uma maneira geral, o sistema trólebus paulistano deve ser sempre incentivado e, de tempos em tempos, passar por uma modernização para que a prestação do serviço seja a melhor possível.

Essa modernização hoje, pode, veja bem, pode significar a continuidade do sistema na cidade e, no futuro, uma ampliação, mesmo que tímida. Vai depender dos futuros gestores públicos, principalmente, porque do ponto de vista técnico, há argumentos de sobra que provam que esse tipo de veículo é perfeitamente viável em São Paulo.