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Monotrilho da BYD (Foto: Xinhua)

A polêmica envolvendo a troca do monotrilho da Linha 18-Bronze por um sistema de BRT está longe de ter um final conciliador. Muito pelo contrário, a cada dia, semana ou mês, toma proporções cada vez maiores e que coloca em xeque a suposta decisão técnica na troca dos modais.

Já passou mais de 1 ano desde o anúncio oficial do governo estadual e até agora, nenhuma menção completa sobre o projeto do BRT, que vai substituir o monotrilho. Diante dessa situação, o governo vem sofrendo pressão de todas as partes.

Vejam, deputados estaduais e a própria Assembleia Legislativa (ALESP) estão questionando o secretário de estado dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, que sempre vem afirmando que brevemente o projeto do novo modal será divulgado.

Agora, a situação ganhou proporções maiores, já que a conhecida empresa chinesa BYD ofereceu assumir o projeto da linha, prometendo construir e operar, mas apenas se o governo retomar o modal monotrilho. Tentador, não? Mas a empresa oriental foi mais ousada. Segundo notícia do site Via Trólebus, eles se comprometeram assumir, inclusive, os custos de desapropriação!! Você não leu errado. Isso mesmo, aquele custo que seria responsabilidade do Estado na Parceria Público-Privada (PPP).

Isso vem ao encontro da proposta do, então, candidato, João Doria (PSDB) que, durante sua campanha eleitoral em 2018, afirmou por diversas vezes que as novas linhas de metrô seriam construídas integralmente pela iniciativa privada sem dinheiro algum do governo.

Mas parece que, diante da negativa do próprio governo, essa ideia ficou lá durante a campanha política.

É de se lamentar porque diante da escassez de recursos, ter uma empresa que, literalmente, pretende assumir todo o projeto, seria o melhor dos cenários, um sonho que apenas em poucos países do mundo foi realizado.

O Plamurb é totalmente a favor do retorno do modal monotrilho para a Linha 18-Bronze e já escrevemos diversos artigos explicando os motivos e com argumentações puramente técnicas. Quem conhece a cidade de São Bernardo do Campo e o futuro traçado da linha, sabe que um BRT dificilmente daria conta da demanda ou teria a mesma eficiência. Até mesmo se fosse um BRT de verdade, nos moldes de Curitiba ou Bogotá, ou seja, com faixas largas, pistas de ultrapassagem, preferência semafórica, intervalos baixos e tantas outras características.

Em outras palavras, estamos diante de uma das maiores decisões políticas da história da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Decisão essa que resultará em um grande retrocesso na mobilidade urbana, que perdurará por anos e anos.

Infelizmente é mais um caso onde o interesse público, o interesse da sociedade ficou em segundo plano. E o mais impressionante é que a PPP da Linha 18 já estava assinada há tempos, bastando o Estado cumprir com a sua parte. Agora que um ente privado aparece e se propõe a assumir com esse custo, o governo estadual desconversa.

Não há palavras para descrever isso. Ou melhor, há muitas palavras, mas por respeito a você, caro leitor, vamos parar por aqui, até porque, não faz parte de nossas diretrizes. Mas o fato é que essa situação nunca esteve tão clara. Alguém sairá beneficiado com tudo isso e com certeza não será você que depende do transporte público para se locomover.