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Caminhão em área de escape (Foto: Guilherme Puppo/Divulgação)

Nas rodovias o tráfego de veículos pesados é altíssimo, dado que nosso país tem uma cultura muito mais voltada para o transporte rodoviário, ou seja, muitas linhas de ônibus e deslocamentos de cargas em locais onde poderia haver trajetos ferroviários. Por se tratarem de veículos de grande porte e que muitas vezes levam grandes cargas, qualquer descuido no volante pode ser fatal.

Por esse motivo, além da sinalização horizontal e vertical, outros equipamentos são dispostos nas rodovias como forma de reduzir a gravidade de um eventual acidente envolvendo caminhões ou ônibus, por conta de um problema mecânico, por exemplo, ainda mais em trechos de serra.

Um desses equipamentos é chamado de área de escape. O referido equipamento é construído às margens das rodovias, principalmente em declives, fazendo com que ônibus e caminhões consigam parar e evitem acidentes maiores em uma eventual falha nos freios nas descidas.

Grosso modo, esses escapes se assemelham a uma “pista” lateral que sai da rodovia, na maioria dos casos, sempre lado direito. Geralmente possuem por volta de 100 metros de comprimento, 5 metros de largura e 1 metro de profundidade. Possui uma leve inclinação e é preenchida por misturas de terra, argila expandida e brita.

A rampa também possui um sistema de drenagem que impede que cargas líquidas, derramadas dos caminhões, entrem em contato com o solo, contaminando o meio ambiente. Esse material, depois de coletado, é armazenado em uma caixa, sendo, em seguida, retirado por funcionários da concessionária.

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Área de escape (Foto: DNIT)

Quando o motorista percebe que seu veículo está com problemas nos freios, ele usa essa área de escape. O ônibus ou o caminhão, então, acessa esse local na velocidade na qual está. Por conta da estrutura, o veículo para quase que imediatamente, evitando colisões com outros veículos, menores ou não, permitindo a que não haja perdas de vidas humanas, cargas e até do veículo em si.

As áreas de escapes estão dispostas nas rodovias a depender de sua topografia, se há muitos aclives ou declives, curvas ou qualquer outra característica viária que possa ser extremamente fatal em uma eventual perda de controle ou dos freios.

Para se ter uma ideia da eficácia desses dispositivos, segundo o site Estradas, somente nas BRs 116 e 376, de 2011 até o primeiro trimestre de 2020, mais de 400 pessoas foram salvas em 287 situações de emergência, envolvendo caminhões e ônibus.

De acordo com o gerente de Tráfego da Regional Sul, do Grupo Arteris, José Júnior, em declaração para o mesmo site, já está comprovado que as áreas de escape salvam vidas. Junior afirma que os locais onde estão os dispositivos foram previamente estudados e têm comprovada a eficácia em evitar acidentes com veículos caminhões, carretas e ônibus, que apresentam problemas nos freios ou panes mecânica/elétrica, e têm mais dificuldades em parar nos acostamentos.

A primeira área de escape foi implantada pela Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta/Imigrantes, no ano de 2001 na Rodovia Anchieta, km 42, no sentido litoral. Desde aquele momento, muitos caminhões usaram o dispositivo, segundo a empresa, poupando muitas vidas.

Em um dos testes realizados pela Ecovias, um caminhão de seis eixos carregado com 36 toneladas e a uma velocidade de 74 km/h, percorreu quase 41 metros da área de escape até parar completamente.

Como se percebe, as áreas de escape são essenciais, mas ainda assim, nada de trafegar já pensando em utilizá-las, até porque, elas ainda não estão densamente presentes nas rodovias. Talvez, no local onde a falha mecânica foi constatada, possa não haver a tal área de escape. Sendo assim, o desfecho pode ser fatal. Por esta razão, o correto é sempre caprichar na manutenção preventiva e em uma bela revisão.

A seguir, veja um vídeo do Canal Truck Force, onde um caminhão usa a área de escape: