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Trólebus da Eletrobus na linha 307U (Foto: Marisa Vanessa)

O auge do sistema trólebus da cidade foi no ano 2000 com 26 linhas em todas as regiões, mais de 500 veículos, 3 garagens e milhares de passageiros transportados diariamente.

Implantado no ano de 1949, a rede foi ampliada gradativamente e uma das características era a extensão de algumas linhas. No passado, essas linhas ligavam o centro até os bairros, mas com passar dos anos, algumas rotas foram unificadas, passando a formar uma única linha com característica diametral.

Por exemplo: a extinta linha 107P/10 – Mandaqui / Pinheiros foi criada a partir da unificação de duas linhas, uma saindo do Jardim Paulistano e a outra saindo do próprio Mandaqui. Ambas iam até o centro. O mesmo ocorreu com a linha 107T/10 – Tucuruvi / Cidade Universitária.

Com a concessão da operação das linhas em 1994, as novas empresas tiveram como obrigação modernizar a frota e comprar novos veículos. Isso fez com que houvesse uma necessidade de utilizar toda a rede disponível, criando novas linhas, por exemplo, se aproveitando de trechos que ficaram ociosos por um longo período. A linha 307U/10 – Tatuapé (CERET) / Butantã (USP) nasceu a partir dessa necessidade, digamos.

De acordo com informações da São Paulo Transportes (SPTrans) via Lei de Acesso à Informação (LAI), a linha 307U/10 foi criada em 04 de janeiro de 1997. Na época ela tinha 15 veículos e possuía 35 km de extensão no sentido Butantã e 31 km no sentido Tatuapé, totalizando 66 km considerando os dois sentidos. Mesmo considerando o sentido Butantã apenas, era uma extensão maior do que qualquer linha da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e que as linhas 8-Diamante, 9-Esmeralda, 10-Turquesa e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

O tempo de percurso acompanhava, obviamente, o comprimento da linha. Eram 170 minutos no sentido Butantã e 150 minutos no sentido Tatuapé, tempo quase duas vezes maior do que o gasto entre São Paulo e Campinas, por exemplo.

Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa linha, basta lembrar que ela atendia 15 distritos paulistanos, sendo eles: Tatuapé, Carrão, Aricanduva, Vila Formosa, Água Rasa, Mooca, Brás, Sé, República, Consolação, Jardim Paulista, Pinheiros, Itaim Bibi, Morumbi e Butantã. O ponto inicial era na Rua Nestor de Barros, ao lado da garagem da própria empresa, a Eletrobus e do Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET). O ponto final era na Avenida Valdemar Ferreira, ao lado da Universidade de São Paulo (USP).

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Mapa com o traçado da linha 307U/10 (Foto/confecção: Thiago Silva)

Por atender tantos distritos, a linha trafegava por importantes vias, como a Avenida Conselheiro Carrão, Avenida João XXIII, Avenida Eduardo Cotching, Avenida Regente Feijó, Rua da Mooca, Avenida Alcântara Machado, Rua Boa Vista, Avenida São Luís, Rua Augusta, Avenida Cidade Jardim e Avenida Lineu de Paula Machado.

Embora essa representatividade toda, a linha, por ser muito longa, perdia um pouco da sua eficiência, o que acarretava alguns “buracos” nos intervalos, além de ser cansativa para os próprios operadores.

No caso da 307U/10, ela era uma linha diametral, que é importante em muitos casos, pois evitava muitas baldeações, por exemplo, e com um fator de renovação alto, o que acabava por reduzir custos e aumentar sua eficácia. Ficou uma equação difícil de resolver.

Por esse motivo, a linha acabou sendo seccionada, se transformando em duas. Segundo a SPTrans, isso ocorreu em 18 de dezembro de 1999, quase três anos depois de sua criação. Sendo assim, surgiram as linhas 307U/10 – Tatuapé (CERET) / Terminal Parque Dom Pedro II e 7110/10 – Butantã-USP / Terminal Parque Dom Pedro II.

A 307U/10 passou a operar com 11 veículos e uma extensão de 21,4 km no sentido centro e 20,2 km no sentido bairro. O tempo de percurso passou a ser de 97 e 94 minutos, respectivamente.

Em 06 de novembro de 2001, a 307U/10 foi seccionada novamente, transformada em linha circular até o Jardim Vila Formosa, com 4 veículos, uma extensão de 15,4 km e apenas 70 minutos de tempo de percurso. No Jardim Vila Formosa havia a linha 2102/10, que ia até a Praça da Sé. Provavelmente a ideia da SPTrans era permitir uma baldeação ali.

Mas infelizmente essa última alteração foi um fracasso, já que a linha durou menos de um mês, sendo desativada em 30 de novembro de 2001.

Por outro lado, a 7110/10 continuou operando e muito bem. No ano de 2003, com a desativação dos trólebus da Rua Augusta, a linha foi repassada para a empresa Expandir e mudou de número, passando a ser identificada como 702P/42. Tempo depois a linha mudou de numeração novamente e hoje é denominada de 908T/10 – Terminal Parque Dom Pedro II / Butantã-USP.

O sistema trólebus de São Paulo já foi o maior da América do Sul. Porém, duas outras cidades brasileiras possuíram um sistema amplo: Rio de Janeiro e Recife. Entretanto, nenhum deles tiveram uma linha tão longa. Conversamos com Jorge Françoso de Morais, Especialista em trólebus, que nos garantiu que não existiu linha tão longa no sistema carioca. Também conversamos com Junior José Martins, Pesquisador do sistema trólebus de Recife, que nos afirmou que a linha mais longa de lá possuía cerca de 21 km de extensão. Logo, a 307U/10 realmente foi a maior linha de trólebus do Brasil.

É importante frisar que a 307U/10 surgiu em uma época onde o sistema trólebus paulistano era incentivado pelo poder público e pelas empresas operadoras. Na segunda metade da década de 90, algumas linhas de trólebus foram criadas ou reativadas. Além da 307U, foram criadas três linhas circulares centrais interligando os terminais Parque Dom Pedro II, Bandeira a Princesa Isabel. As linhas 9300/10 – Terminal Casa Verde / Terminal Parque Dom Pedro II e 577U/10 – Metrô Santa Cruz / Butantã-USP foram reativadas após anos de paralisação e suas redes aéreas estarem ociosas. Houve também o caso da linha 637P/10 – Terminal Santo Amaro / Pinheiros que teve a tecnologia trocada, passando a operar com trólebus. E não se pode esquecer do projeto Fura-Fila que seria operado por trólebus biarticulados. Um momento completamente diferente dos dias de hoje, onde o poder público não vê com bons olhos o sistema e torcer o nariz para tudo o que envolve trólebus.

E qual a maior linha de trólebus atualmente? Aposto que você deve estar se perguntando. Bem, é a conhecidíssima 2290/10 – Terminal São Mateus / Terminal Parque do Pedro II, que possui cerca de 25 km/22 km de extensão e opera com aproximadamente 53 veículos. O tempo de percurso no horário de pico e em um dia útil varia de 100 a 130 minutos. Bem menos que a 307U/10.