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Marginal Pinheiros (Foto: Portal IG/Shutterstock)

A redução das velocidades das marginais Tietê e Pinheiros, implementada na gestão de Fernando Haddad (PT), foi sempre polêmica. Para muitos motoristas era um completo absurdo andar a “míseros” 50 km/h em plena posta local, ou a 70 km/h na pista expressa.

Nas eleições de 2016, esse assunto tomou conta do debate entre os principais candidatos, sendo que João Doria (PSDB), vencedor do pleito, prometeu voltar com os limites anteriores, sob a falácia de que a gravidade ou letalidade dos acidentes nada tinham a ver com a velocidade veicular.

Em janeiro de 2017, mais precisamente no dia 25 de janeiro, de forma puramente política, a gestão do tucano retomou as velocidades antigas. As pistas expressas voltaram a ter limite de 90km/h, enquanto a pista central (no caso da Marginal Tietê), passou a 70km/h. A pista local, no entanto, passou a ter duas velocidades: 50km/h na faixa da direita e 60km/h nas outras, ou seja, duas velocidades em uma pista onde é normal haver faixas que se unem ou se separaram em alguns trechos.

A medida recebeu muitas críticas, porém, foi elogiada essencialmente por aqueles que por ali circulam diariamente. E, infelizmente, as mortes nessas duas vias subiram, confirmando, de uma vez por todas, que quanto menor a velocidade, maior a chance de sobrevivência em caso de atropelamento ou colisão. Até mesmo a reação melhora em velocidade menor.

Chegamos a escrever um artigo 1 ano após o aumento e você pode conferir clicando aqui. Mas de 2018 para cá, pouco foi falado. Então, perguntamos: como estão os dados de vítimas fatais de lá para cá? Reduziram, subiram? Será que as ações tomadas deram resultado? O programa de proteção ao pedestre foi eficaz?

Bem, a resposta para todas essas perguntas está logo abaixo. Através dos relatórios da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), presentes em sua página, obtemos os dados referentes a isso.

marginais 2019
Dados das marginais (Foto: Thiago Silva/CET-SP)

Como podemos ver, em 2018 o número de óbitos nas marginais continuou subindo, com 36 vítimas fatais, uma alta de 6% em relação ao ano anterior. Vale ressaltar que em 2017, ano da mudança, os óbitos já tinham aumentado.

Em 2019, felizmente, o número de mortos reduziu, caindo 8%, ou seja, de 36 para 33 vítimas. Entretanto, esse número ainda está muito acima dos 26 mortos de 2016, o primeiro ano cheio após a redução das velocidades.

Se fizermos uma análise geral da cidade, onde a velocidade, felizmente, não foi aumentada, o número de vítimas fatais, embora com uma alta em 2018, tornou a reduzir em 2019, chegando ao menor número desde 2014, o que acaba por reforçar que onde a velocidade é mais baixa, a gravidade dos acidentes também é menor, preservando as vidas.

É importante deixar claro que reduzir as velocidades das vias é uma tendência mundial como forma de diminuir a letalidade dos acidentes e salvar o maior número de vidas possíveis. Podem até alegar que as marginais são vias expressas, mas precisam lembrar que são vias expressas urbanas, e, por isso, um limite de velocidade de 50 km/h na pista local, por exemplo, está de acordo com as recomendações do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Atrelado a isso, são necessárias ações complementares, como mais faixas para ônibus, ciclovias, aumento das calçadas e redução da largura das faixas de rolamento, fazendo com que os motoristas trafeguem sim em velocidades menores e priorizando os pedestres nas vias.

A redução das velocidades foi apenas uma boa medida. Seu aumento, em 2017, foi uma ação puramente política e vidas, infelizmente, foram perdidas. Pouco tem se falado, mas o Plamurb não se esquece, muito pelo contrário.