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Avenida Celso Garcia (Foto: Gazeta Virtual)

As mudanças na Avenida Celso Garcia ocorreram em meados do ano de 2018, sendo que a principal alteração foi a transformação em mão dupla para todos os veículos. Para quem não se recorda, no sentido centro, a via era exclusiva para ônibus, dando maior agilidade e fluidez aos coletivos.

Após a mudança, os veículos comuns passaram a poder circular no sentido centro. Tal situação gerou e vem gerando muitas reclamações por parte de moradores, comerciantes e transeuntes.

Além disso, a avenida, meses atrás, estava abandonada, com problemas de buracos e sujeira, conforme vocês puderam ler neste artigo. Tinha-se a impressão que a prefeitura focou apenas na mudança da circulação viária e largou o restante. Na época, a justificativa era que a avenida tinha muitos acidentes e que, por conta disso, era necessário intervir e melhorar o viário.

Porém, passados quase 2 anos da mudança, infelizmente, os acidentes não foram reduzidos, muito pelo contrário. Em alguns indicadores tais números aumentaram, colocando em xeque os argumentos do poder público e todos aqueles envolvidos nessa mudança.

Os dados são da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), disponíveis em sua página. Coletamos os dados a partir de 2017 para se ter um parâmetro melhor. Acompanhem conosco.

Para começar, em 2017, segundo os dados da CET, a Avenida Celso Garcia não figurava entre as 30 primeiras vias paulistanas com acidentes fatais.

Nesse mesmo ano (antes da mudança), a avenida teve 41 acidentes com vítimas, 42 feridos e 2 óbitos.

Em 2018 (após a mudança), houve um aumento, com 45 acidentes com vítimas, 46 feridos e 3 óbitos. A avenida saiu da 48ª colocação em 2017 para a 31ª em 2018, ou seja, após a mudança. Isso já mostra que a alteração viária não reduziu acidentes como era proposto.

Como a alteração ocorreu no meio de 2018, o mais correto é pegar o ano seguinte cheio, para que a análise fique mais concreta e sólida. Sendo assim, vamos para 2019.

Em 2019 a referida avenida teve 41 acidentes, 45 feridos e 1 óbito. O número de acidentes é o mesmo de 2017, porém, o número de feridos é maior do que esse mesmo ano, ou seja, ainda antes da mudança. Já os óbitos, felizmente reduziram, chegando a 1 em 2019. Confira os dados sintetizados na tabela abaixo.

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Dados da Avenida Celso Garcia (Foto: Thiago Silva/CET-SP)

De uma maneira geral, o que se pode observar é que os acidentes e feridos ficaram estáveis, não representando uma redução como se previa após a alteração da Avenida Celso Garcia. O maior aumento foi de 2017 para 2018, talvez por conta da alteração, que gerou novos conflitos e confusões viárias. Porém, como já dito, os números de 2019 são, praticamente, semelhantes ao de 2017.

Se focarmos apenas nos atropelamentos houve uma queda nos acidentes e feridos, porém, em 2017 não houve nenhum óbito, assim como em 2019. Em 2018, porém, infelizmente, houve 2. Dentro desse contexto não seria errado afirmar que de 2017 para 2018 houve uma queda, porém, eles ficaram mais graves, e, por isso, as mortes.

Em relação aos acidentes com vítimas, houve um aumento em 2019 em relação a 2017, ano anterior à mudança da avenida.

Se fizermos uma análise histórica, por meio dos próprios relatórios da CET, é possível observar que desde 2012, o número de acidentes com vítimas vinha caindo ano após ano. Tal queda foi interrompida justamente em 2018, ano da mudança e voltou ao mesmo patamar de 2017, no ano de 2019.

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Série histórica da Avenida Celso Garcia (Foto: Thiago Silva/CET-SP)

Chega-se à conclusão que as mudanças da avenida não surtiram o efeito desejado. É claro que houve uma queda no número de mortes e isso deve ser comemorado, afinal, em qualquer situação nenhuma morte deve ser admitida, ainda mais se for possível preservá-la. Porém, a prefeitura fez um barulho danado para justificar tal alteração. Na prática, o resultado ficou aquém do esperado.

De uma coisa temos quase certeza: a mudança não foi realizada apenas pela segurança viária. Há muitos outros fatores por trás disso. O que temos hoje é um grande tormento para quem usa ônibus e para os moradores da região que, de uma hora para outra, viu as vias onde residem serem usadas como alternativa por um número maior de veículos, muitos deles de porte grande.