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Trólebus na cidade de Limoges (Foto: Sustainable-bus)

Pois é isso mesmo que você leu no título desse artigo. Enquanto que aqui no Brasil restam apenas três sistemas, sem garantias de sobrevivência e com o poder público dando prioridade aos ônibus elétricos com baterias, lá na Europa os trólebus continuam fortes e são vistos como a principalmente solução de mobilidade urbana sustentável sobre pneus.

É o que mostra uma publicação internacional sobre esses veículos, veiculada pela página Sustainable-bus.

Segundo a página, os projetos e investimentos em trólebus estão aumentando em vários países europeus, como a Suíça, França, Áustria, Itália, Polônia e República Tcheca. Esses países estão entre os que possuem as maiores redes europeias. E, por esse motivo, os planos de renovação e até de ampliação estão em franco andamento. Até mesmo Berlim, na Alemanha, já considera realizar investimentos nesse tipo de tecnologia.

Saindo um pouco da Europa, a Cidade do México vem implementando sua rede, com a modernização e aquisição de novos veículos e a ampliação da rede local. A implantação crescente dos trólebus não é o único protagonista da transição energética no transporte público da cidade.

Os novos veículos são, agora, equipados com baterias ou com geradores a diesel, ou seja, um dos maiores e mais conhecidos problemas do sistema está praticamente resolvido, que é paralisação por conta de falta de energia ou quebra de rede. Digamos que o veículo está se reinventando, melhorando, e muito, a sua flexibilidade. Segundo o site, Hess, Iveco Bus, Skoda Electric, Solaris Bus & Coach e Van Hool são as principais fabricantes do setor.

Aqui no Brasil há uma pequena frota com baterias, permitindo a continuidade da operação quando ocorrem os problemas já citados anteriormente, mas ainda é pouco para o que a cidade precisa.

Mas voltando a falar da Europa, segue algumas informações sobre como está o processo de modernização e ampliação do sistema trólebus, de acordo com a página Sustainable-bus.

Berlim

Em fevereiro de 2020, a BVG Berlim anunciou que considera os trólebus como uma das principais soluções para o distrito de Spandau. A BVG planeja a eletrificação da frota de ônibus até 2030. Até 2021, cerca de 225 ônibus eletrônicos deverão chegar às ruas de Berlim. Nesse contexto, uma instalação parcial de linhas aéreas de trólebus está sendo levada em consideração no distrito de Spandau.

Riga

Avanços interessantes do ponto de vista tecnológico estão sendo testados em Riga (capital da Letônia), onde um lote de trólebus foi equipado com um extensor de alcance de células de combustível pela primeira vez. O operador de transporte público Rīga s satiksme informou em março de 2020 que todos os dez trólebus movidos a hidrogênio começaram a operar.

Milão, Modena, Parma e Gênova

As quatro cidades italianas estão apostando alto nos trólebus. Em Milão, a operadora municipal estabeleceu um plano para chegar a 2030 com uma frota de transporte público de zero emissões. Neste plano está incluído uma grande encomenda de até 30 Solaris Trollino 18 (o contrato é para 80 veículos). O primeiro veículo chegou a Milão em meados de 2019. Alguns problemas técnicos atrasaram o início das operações dos veículos, que devem ser colocados em circulação agora 2020.

18 trólebus fabricados na Polônia também vão para Modena e Parma. 2020 será um ano crucial: as operadoras SETA Modena e TEP Parma, ambas prestadoras de serviços de transportadora na região de Emilia-Romagna, no norte do país, fizeram pedidos de 18 veículos modernos Solaris Trollino 12.

Os veículos possuem, entre outras coisas, um motor de tração central, baterias de tração com capacidade de 45 kWh e um sistema de refrigeração, o que permitirá que os trólebus percorram uma distância muito maior sem a necessidade de estarem conectados à rede aérea.

Gênova também tem planos para os trólebus. A cidade apresentou ao Ministério de Infraestrutura e Transporte um dossiê sobre a implementação do sistema de transporte rápido em massa. Conforme relatado no Autobusweb, Gênova pediu 650 milhões de euros para financiar até 4 novas linhas operadas por trólebus. Em 2019, em Gênova, ocorreu a inauguração de um teste de três dias realizado pelo operador de transporte público local. Era um trólebus Van Hool Exquicity, com 24 metros de comprimento e capacidade de 180 passageiros. E em janeiro de 2020, foi a vez de um Iveco Crealis ser testado nas ruas da cidade.

Limoges e Lyon

Em setembro de 2018, a Limoges Métropole decidiu investir na nova geração da Iveco Crealis. O município escolheu o Crealis In-Motion-Charging, um trólebus de nova geração anunciado no início do mesmo ano.

Em Lyon, a SYTRAL (Lyon Metropolitan Transporte Authoriry) divulgou em setembro 2018 a sua estratégia para estar em conformidade com a legislação ambiental francesa que entra em vigor em 2020. A eletromobilidade, com duas tecnologias diferentes, obtém a maior participação. Sendo assim, a SYTRAL de Lyon anunciou a escolha da tecnologia trólebus. A nova geração de trólebus com recarga em movimento representará uma parte importante das propostas para 2020 em diante.

Lausanne

Cerca de 12 veículos articulados serão implantados na rede de transporte público de Lausanne. A cidade suíça se orgulha de ter uma das maiores frotas de trólebus da Europa. Os trólebus da nova geração da Hess, fabricante local, também estão em operação em Berna e Geneve.

Salzburg

A cidade austríaca possui uma das maiores frotas de trólebus da Europa Ocidental em operação (cerca de 110 veículos). O contrato de fornecimento dos novos trólebus inclui o fornecimento de até 50 veículos, 15 dos quais são trólebus de 18 metros e devem ser entregues no próximo ano. O acordo também inclui trólebus de 24 metros.

Lublin e Gdynia

Metade da frota de transporte público de Lublin, na Polônia, terá emissão zero a partir de 2021, de acordo com o governo local. Em dezembro de 2019, a autoridade de transporte público, ZTM, garantiu dois pedidos com o Solaris. Um para 20 ônibus elétricos a bateria e um para 10 trólebus.

Em Gdynia, houve assinatura de um contrato com a Solaris para a entrega de 30 trólebus no valor de mais de 22 milhões de euros no ano de 2018. Graças a oferta vencedora da Solaris, a frota da PKT terá um lote de Trollino 18 articulado, embora o pedido também contemple o Trollino 12.

Teplice, Opava, Ostrava e Marianske Lazne

As quatro cidades da República Tcheca fizeram encomendas e já estão recebendo os trólebus. Estamos falando de um total de 30 veículos envolvidos nesses projetos. O fabricante tcheco Skoda Electric é o principal fornecedor.

Vale ressaltar que a capital do país, Praga, voltou a possuir a operação com trólebus desde 2019, após quase 50 anos da desativação.

Kaunas

Um lote enorme de trólebus foi encomendado para a cidade de Kaunas, na Lituânia, no final de 2018. São 85 Trollino 12 foram encomendados pelo operador de transporte público da cidade, a UAB Kauno Autobusai.

Cidade do México

Como foi dito no início do texto, fora da Europa os trólebus estão em ampliação, mas apenas no México. A capital mexicana recebeu 63 trólebus provenientes do fabricante chinês Yutong e emitiu em março de 2020 um novo contrato para até 50 articulados.

Os novos trólebus da STE, de acordo com as especificações da licitação, serão de última geração, com emissão zero (isto é, equipados com a tecnologia In Motion Charging), com 18 metros de comprimento, capazes de transportar pelo menos 140 passageiros. Um dos destaques é o fato dos trólebus poderem circular por pelo menos 25 quilômetros sem estarem conectados à rede aérea.

E no Brasil?

Bem, no Brasil temos apenas três sistemas e não há sinais de que poderão ser ampliados. Em São Paulo, por exemplo, onde atualmente opera a maior frota, com cerca de 200 veículos, a prefeitura insiste em não investir nesse tipo de veículo.

Há poucos anos havia a rede aérea em quase todo o traçado da linha que ia para a Casa Verde, mas a infraestrutura foi completamente removida, indo na contramão das cidades europeias citadas.

A única linha que pode voltar a operar é a que liga a Penha ao Terminal Parque Dom Pedro II, inclusive isso constava no Edital de licitação, mas até agora nenhum sinal neste sentido, sendo que a prefeitura afirmou que o retorno só ocorreria se houvesse possibilidades técnicas.

No momento, o poder público tenta investir em ônibus elétricos com baterias, como os da fabricante chinesa BYD, porém há uma grande incerteza sobre a viabilidade desses veículos. Por outro lado, os trólebus estão aí há mais de 70 anos e possuem inúmeras vantagens.

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