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Trem da Linha 5-Lilás (Foto: Thiago Silva)

A Linha 5-Lilás foi finalizada no ano de 2018, após anos de obras, atrasos e algumas situações polêmicas. Repassada para a iniciativa privada há quase dois anos, a ViaMobilidade vem operando o ramal, porém, bem aquém do que se esperava, considerando o fato de pertencer ao Grupo CCR, o mesmo que opera a Linha 4-Amarela.

Ano passado foi a prova de fogo da linha, já que no ano da concessão, a concessionária operou o ramal por apenas 5 meses, tempo inadequado e, de certa forma, insuficiente para fazer uma análise melhor.

Em 2019, muitos notaram o excesso de falhas da linha, sendo que até o próprio secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, chegou a cogitar uma aplicação de multa na empresa. Para se ter uma ideia, em junho do ano passado a linha chegou a ficar com falha por dois dias seguidos, causando filas enormes no acesso às estações. E essa foi apenas uma das mais diversas falhas da linha ao longo do ano.

E como sempre fazemos em todos os anos, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), solicitamos os dados referentes às falhas notáveis das cinco principais linhas, três delas operadas pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e duas operadas pelo Grupo CCR. A solicitação foi feita no final de fevereiro e a resposta chegou agora, no comecinho de maio.

Os números comprovaram aquilo que já tínhamos quase certeza: a Linha 5-Lilás foi a campeã de falhas em 2019, tanto em números absolutos quanto em números proporcionais. Além das falhas, solicitamos a quilometragem percorrida o ano todo, para termos uma ideia do quanto foi percorrido entre cada falha.

Por outro lado, a linha que teve o melhor desempenho foi a 3-Vermelha, que é operada pelo Metrô e é considerada uma das mais lotadas.

Enquanto a Linha Lilás teve 34 falhas notáveis, a Linha Vermelha teve 14. Logo abaixo, segue uma tabela com os dados mais detalhados. Vejam:

Falhas 2019
Tabela com as falhas das linhas (Foto: Thiago Silva/LAI)

Como se pode ver, as duas linhas administradas pelo Grupo CCR tiveram os piores desempenhos em 2019, considerando as falhas notáveis e a quilometragem percorrida. Não fica muito claro o motivo disso, até porque as duas linhas são, digamos, as mais modernas, porém, no caso da Linha 4-Amarela tudo indica que é o efeito da curva da banheira, como já havíamos falado no artigo do ano passado.

No caso da Linha 5-Lilás, é evidente que o Metrô repassou a linha com detalhes faltantes, porém não pode ser o único argumento usado, uma vez que o Metrô opera as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha com adversidades muito maiores e que, muitas vezes, colocam em xeque a operação estatal por parte daqueles que acreditam que o setor privado faz melhor.

Diferentemente da Linha 4-Amarela, a Linha 5-Lilás não é uma linha nova, já que parte de seu trecho foi inaugurado em 2002. Talvez o Grupo CCR, acostumado com a modernidade na operação da ViaQuatro, achou que haveriam características semelhantes, o que é um equívoco tremendo. As duas linhas passam por regiões com público, renda, inserção urbana e pendularidade bem diferentes.

Em outras palavras, cada linha é uma realidade à parte, o que reforça que não basta apenas repassar para o privado como garantia na melhoria do serviço, como, equivocadamente, muitos acabam acreditando.

Talvez agora, em 2020, as falhas da Linha Lilás caiam e fiquem estabilizadas, já que as portas de plataformas estão sendo instaladas, mais trens serão acrescentados à frota, houve melhorias na Estação Capão Redondo e outras mais pontuais nas demais paradas. Tudo isso acaba impactando positivamente na operação de uma maneira geral. Resta saber se isso será suficiente.