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Via da capital Palmas com onda verde (Foto: Prefeitura de Palmas)

Quem se desloca pela cidade por meio de algum tipo de veículo rodoviário automotor já deve ter notado aquela situação onde os semáforos se alternam entre verde e vermelho em cada quadra ou esquina. Isso resulta em um para e anda constante, irritando alguns condutores.

Para tentar reduzir essa situação, foi criada a onda verde, que nada mais é do que uma série de semáforos de uma mesma via sincronizados no verde veicular, permitindo que seja possível percorrer várias quadras sem a necessidade de parar.

A medida é considerada importante pois melhora a fluidez no trânsito, reduz o barulho dos veículos, o uso de energia, gargalos e a poluição atmosférica, no caso dos veículos movidos a combustíveis fósseis.

Em relação ao transporte público, a onda verde, principalmente em vias providas de corredores e faixas exclusivas para ônibus, tem um peso importante na redução do tempo de deslocamento para o passageiro, além do ganho financeiro em situações envolvendo integrações tarifárias temporais.

Geralmente uma via arterial e principal é a escolhida para a implementação, observando suas transversais, o fluxo total e por hora, além do volume de pedestres que circulam pelos arredores.

Essa sincronização, entretanto, não é um trabalho fácil, sendo necessários constantes estudos envolvendo cálculos, avaliações, observações em campo nos horários de pico e um planejamento integrado para resultar em mais fluidez. Vale ressaltar que quando se fala em horários de picos, algumas vias possuem um fluxo diferenciado fora desses horários, ou seja, os estudos e análises devem considerar vários cenários diferentes ao longo do dia.

A coordenação da onda verde pode ser feita por meio de câmeras de monitoramento, sensores instalados sob o pavimento da via, sensores virtuais e até um histórico de fluxo de veículos por faixa horária. Considerando essas alternativas, a operação da onda verde pode ser estática ou dinâmica.

Vale ressaltar que se a opção for pela câmera haverá uma resposta mais rápida no que tange à necessidade de alterações na programação da onda verde pelas mais diversas situações, como acidentes na via, cruzamentos bloqueados, pequenas filas em decorrência de conversões e aumentos de fluxo sazonais por conta de chuva, manifestações, véspera de feriados, alagamentos, solapamentos entre outros.

É importante deixar claro que a onda verde não é implantada em toda a extensão da via e sim apenas em grupos de semáforos, se alternando com sinais todos em vermelhos. O trecho inicial e final, geralmente, é delimitado por vias transversais importantes e de fluxo elevado.

Pontos negativos

Em que pese as qualidades da onda verde, ainda há alguns fatores negativos, melhor dizendo, fatores mais difíceis de serem equalizados ou que demandam maiores cuidados.

Um desses fatores é a falta de colaboração por parte dos motoristas. A onda verde é programada considerando um tempo médio entre cada quadra ou entre o primeiro e último semáforo. Sendo assim, caso um veículo trafegue acima da velocidade, ele, muito provavelmente, irá se deparar com algum sinal ainda fechado, criando um pequeno congestionamento e atrapalhando a programação feita.

Essa situação também pode gerar outros agravantes, como atropelamentos e colisões, uma vez que pessoas podem estar atravessando na faixa e veículos ainda em processo de cruzamento, caso o motorista não consiga frear a tempo.

Para o caso acima é necessário que haja uma fiscalização severa, com equipamentos que permitam o cálculo da velocidade média, podendo, inclusive, haver a quebra da onda verde no bloco todo quando identificado um veículo acima da velocidade.

O outro fator diz respeito ao momento onde cada semáforo irá abrir para compor a onda verde. É preciso que o sinal seguinte abra sempre quando os veículos da quadra anterior estiverem a uma distância segura (uns 50 metros, aproximadamente), evitando chegar ao semáforo no momento em que a luz verde acender. Isso é importante pois é comum veículos ainda estarem terminando a conversão ou cruzamento ou pedestres finalizando a travessia.

Essa situação está diretamente ligada ao outro problema relatado, ou seja, aqueles motoristas que andam acima da velocidade na onda verde.

A maior dificuldade, porém, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é implantar a onda verde em vias de pista simples e mão dupla, já que quanto mais se beneficia a sincronização da onda verde em um sentido, mais se prejudica a do sentido oposto.

“Não se trata de ter um equipamento melhor ou contar com um técnico mais qualificado. É uma questão matemática. Para se ter uma ideia dessa dificuldade, a coordenação perfeita para os dois sentidos só é possível quando o tempo de ciclo for igual ao dobro do tempo de percurso entre os semáforos, condição quase impossível de se obter na prática”, afirmou o engenheiro de trânsito Luis Molist Vilanova.

Mais importante do que garantir uma boa operação da onda verde é garantir que haja uma sinergia com os semáforos para pedestres, garantido plena segurança na travessia tanto na via principal, quantos nas transversais. Neste caso, além do sinal de pedestre é importante implementar o vermelho geral, evitando ao máximo, assim, qualquer tipo de circulação veicular.