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Ruas vazias e rodízio suspenso (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Estamos diante de uma pandemia em decorrência do coronavírus (Covid-19), um vírus altamente contagioso e que, infelizmente, causou óbitos em países pelo mundo, incluindo, aí, o Brasil que vê dia a dia os casos confirmados crescerem.

Muitas ações foram tomadas para conter a disseminação do vírus, entre elas, o aumento da higienização, os trabalhos em casa (home office), o hábito de lavar as mãos com muito mais frequência após usar o transporte público e a percepção da importância de serviços essenciais como o transporte público.

No caso do transporte público, observamos situações impensáveis, como o nível de lotação. Ônibus e trens andando vazios nos horários de picos, estações com pouca gente e um trânsito completamente livre. Difícil imaginar isso, nem mesmo na época de férias escolares ou naquela semana entre o Natal e Ano Novo.

O trabalho em casa ganhou um grande protagonismo e muitos que ainda torciam o nariz para o home office, acabaram notando que, com uma certa organização, foco e disciplina é possível sim realizar suas atividades algumas vezes por semana em sua residência. O nível de lotação e trânsito menor agradecem.

A higienização dos coletivos, que antes tinham um intervalo maior de realização, agora passou a ser feita no intervalo entre as viagens, sobretudo nos ônibus que anteriormente faziam apenas nas garagens no fim do dia.

O trânsito livre reduziu drasticamente o tempo da viagem, permitindo mais tempo com a família ou a possibilidade de realizar outras atividades antes ou pós trabalho, não necessariamente na rua. A poluição teve reduções também, o que acabou por melhorar a qualidade do ar.

Embora haja a proibição de sair à rua, quem não tinha outra alternativa continuou usando o transporte público, que, em certas cidades não teve a frota reduzida, justamente para evitar aglomerações de pessoas em um mesmo local.

Claro que isso tudo ocorreu por conta de uma situação emergencial, mas será que não dá para tirar uma lição de tudo isso? Será que não dá para repensar nossos hábitos de locomoção quando a rotina voltar ao normal após o controle dessa pandemia?

O Plamurb acredita que sim. De uma maneira geral, o egoísmo, que sempre rende discussões acaloradas deve ficar para trás, melhor dizendo, deve ser deixado um pouco de lado, porque, infelizmente, egoístas sempre existirão.

E quando falamos de egoísmo não tem como não lembrar daqueles que sempre reclamaram das faixas exclusivas, dos corredores de ônibus, das ciclovias, das leis de trânsito e etc.

Muitos reclamavam e ainda reclamam que faixas para ônibus e bicicletas prejudicavam seus comércios. Infelizmente, agora, perceberão que essa pandemia terá um efeito milhões de vezes pior do que supostamente uma ciclovia causava. E que seria muito melhor tê-los como parceiros logo de início, até porque, agora, com a proibição de alguns comércios de abrirem, serão os ciclistas (além de motoboys e etc), que farão entregas residenciais de alimentos ou produtos, na medida do permitido.

Multas, imprudência? Que tal em vez de sempre afirmar que exista a tal indústria de multas, passar a respeitar a legislação e dirigir com mais cautela? Nesse momento, o que os hospitais menos precisam é de um acidentado no trânsito (por pura imprudência) ocupando um leito que poderia ser usado para tratar pessoas com o coronavírus. Mais do que isso, que tal fazer disso um estilo de vida após passar essa pandemia? Dá tempo de se redimir.

Aquela faixa exclusiva atrapalha? Não, nada disso. Nunca atrapalhou. Se você tem a possibilidade de trabalhar no conforto de sua casa, jamais ouse criticar uma estrutura que garante as mínimas condições para aqueles que são obrigados a usar o serviço de ônibus diariamente.

Vamos nos lembrar, também, que enquanto estamos nos estapeando por um frasco de álcool em gel para limparmos nossas mãos, milhões de brasileiros ainda não tem acesso a um saneamento básico decente.

Sabe, acreditamos que essa pandemia poderá ser um divisor de águas em relação a nossas ações e nossa forma de viver. Que a empatia, a preocupação com o próximo e a sensibilidade faça parte de nossas vidas de agora em diante. Menos julgamentos, menos olhares para o próprio umbigo, menos egoísmo, mais senso de coletividade. É isso que esperamos, é isso que acreditamos.

Que o vazio das ruas e o motivo disso nos faça pensar, mas pensar bastante. Menos eu, mais nós!

Boa sorte a todos. Muita saúde e prosperidade.