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Estação Liberdade (Foto: Marcelo Justo/Folhapress)

Mudar nome de estação metroferroviária, praça, rua e etc, parece que virou uma regra para nossos vereadores e deputados. Não há uma gestão sequer sem que um projeto do tipo seja apresentado pelo legislativo.

Focando nas estações da Companhia do Metropolitanos de São Paulo (Metrô) e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), muitas delas já tiveram seus nomes originais alterados ou incorporados a algum político ou time de futebol, duas inutilidades, diga-se de passagem.

Uma das mais recentes, foi a alteração da Estação Liberdade da Linha 1-Azul do Metrô, passando, agora, a se chamar Japão-Liberdade. Mas não contente com essa mudança, um outro deputado, que provavelmente não deve ter muito o que fazer, decidiu apresentar um projeto para mudar o nome desta mesma estação novamente.

Para quem não se recorda, tal alteração ocorreu em meados de 2018 e agora, menos de dois anos depois, querem mudar de novo. É brincadeira, não?

O Projeto de Lei nº 71/2020 que propõe a mudança é de autoria do deputado José Américo (PT). A estação passaria a se chamar Japão-Liberdade-África.

Na justificativa ele diz o seguinte:

“A estação Japão – Liberdade, da Linha 1 -Azul, no centro da cidade de São Paulo, ganhou a denominação em homenagem aos imigrantes japoneses que, a partir de 1912, começaram a se instalar na Rua Conde de Sarzedas, no centro da capital.

Contudo, o nome do bairro é herança de um homem negro: Francisco José das Chagas, ressaltando-se que o local foi abrigo de escravos e ex-escravos no século 19.

A memória se tornou objeto de uma disputa desnecessária entre dois povos que ajudaram muito para o crescimento do Brasil.”

Independente do contexto histórico, é preciso reforçar, de novo, que trocar o nome de uma estação não é simplesmente mudar a placa e está tudo certo. Não, muito pelo contrário. Ao mudar o nome de uma estação, deve-se mudar mapas, placas, sanca, painéis e etc.

E em todos os locais que façam referência a essa estação, haverá a necessidade de substituir. O custo é altíssimo.

Em 2017 escrevemos um artigo mostrando o custo de trocar o nome da estação, neste caso, abordando a CPTM. Na época, os valores variavam entre 600 a 800 mil reais, isso mesmo, quase 1 milhão de reais para substituir um nome por outro. Confira aqui.

Não devemos nos dar ao luxo disso. Enquanto querem gastar 600 mil para mudar o nome da Estação Liberdade, existem muitas outras da rede sobre trilhos que não possuem acessibilidade, estão com elevadores ou escadas rolantes quebradas, mapas desatualizados, falta de informações dos arredores e etc.

Sério mesmo que querem gastar isso para trocar o nome de uma estação, enquanto que em Aracaré, na Linha 12-Safira, um cadeirante ou uma pessoa com dificuldade de locomoção mal consegue acessar a estação?

Vamos trabalhar de verdade, caro deputado?