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Logo do Centro Paula Souza sobre um trólebus (Foto: CPS/Thiago Silva)

O Centro Paula Souza (CPS) é uma autarquia do Governo do Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Presente em 322 municípios, a instituição administra 223 Escolas Técnicas (Etecs) e 73 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais, com mais de 294 mil alunos em cursos técnicos de nível médio e superior tecnológicos.

Nas Etecs o número de matriculados ultrapassa 208 mil estudantes nos Ensinos Técnico, Médio e Técnico Integrado ao Médio, incluindo habilitações nas modalidades presencial, semipresencial, online, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e especialização técnica.  As Etecs oferecem 151 cursos, voltados a todos os setores produtivos públicos e privados.

Já as Fatecs atendem mais de 85 mil alunos matriculados em 77 cursos de graduação tecnológica, em diversas áreas, como Construção Civil, Mecânica, Informática, Tecnologia da Informação, Turismo, entre outras.

A instituição foi criada pelo decreto-lei de 6 de outubro de 1969, na gestão do governador Roberto Costa de Abreu Sodré (1967 – 1971), como resultado de um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade de implantação gradativa de uma rede de cursos superiores de tecnologia com duração de dois e três anos.

Em 1970, começou a operar com o nome de Centro Estadual de Educação Tecnológica de São Paulo (CEET), com três cursos na área de Construção Civil (Movimento de Terra e Pavimentação, Construção de Obras Hidráulicas e Construção de Edifícios) e dois na área de Mecânica (Desenhista Projetista e Oficinas). Era o início das Faculdades de Tecnologia do Estado. As duas primeiras foram instaladas nos municípios de Sorocaba e São Paulo.

Como vocês devem saber, eu Thiago, Editor-chefe do Plamurb, estudei nas duas instituições administradas pelo CPS. E, por conta disso, resolvi escrever essa publicação especial para contar um pouco dos cursos.

Vejam, embora cursos de transporte sejam oferecidos em diversas instituições, irei focar na Etec e Fatec, pois foi lá que estudei entre os anos de 2010 e 2015. Nesse período, fiz os dois cursos técnicos de transporte e a faculdade de transporte.

Curso Técnico de Transporte Rodoviário

O curso de Transporte Rodoviário foi o primeiro que fiz. Como sempre gostei de transporte, sobretudo de trólebus, não pensei duas vezes quando saiu o Vestibulinho para o referido curso. Após a divulgação das notas, fiz a matrícula e iniciei os estudos.

O mais legal é que havia muitos colegas com histórias e conhecimentos para compartilhar, todos voltados para o transporte. Tinha gente que trabalhava em empresas de transporte, trânsito, logística, administradora de rodovias e etc.

Os professores eram altamente capacitados e com um conhecimento assombroso na área. A maioria deles trabalhavam em empresas como a São Paulo Transporte (SPTrans), Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Empresa de Planejamento Metropolitano (Emplasa).

Durante o 1 ano e meio do curso, fizemos visitas em terminais de ônibus, garagens da SPTrans, central da CET e da concessionária Ecovias, por exemplo. E em todas essas visitas, fizemos atividades e trabalhos.

Por falar em trabalhos, também fizemos trabalhos em campo, como o monitoramento do intervalo e da lotação de linhas de ônibus que passavam na avenida ao lado da ETEC, ali na Avenida Tiradentes. Também fizemos uma análise em campo do movimento veicular em um cruzamento próximo.

Também fomos em todas as feiras e eventos de transporte que aconteceram no período e tudo aquilo servia para agregar mais conhecimento.

Os professores da SPTrans e da CET nos ensinaram a fazer a programação de linhas de ônibus e semafórica, além da fiscalização e controle de tráfego. Os demais professores que não lecionavam matérias exclusivas para o transporte, foram importantíssimos, pois nos deram a base para aplicar nas outras matérias, como o português, inglês, informática, planejamento urbano e etc.

O trabalho de graduação do meu grupo era sobre o Corredor Diadema-Brooklin.

Curso Técnico de Transporte Ferroviário

As matérias básicas desse curso eram similares ao do Rodoviário, com uma ou outra matéria específica. A partir do segundo semestre, o foco fica totalmente voltado para as ferrovias. Havia professores que trabalhavam na Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Durante o curso fomos em pátios, estacionamentos, salas técnicos e no Centro de Controle Operacional (CCO) das duas empresas. Também visitamos o CCO da Via Quatro lá na região da Vila Sônia.

E assim como nos ônibus, aprendemos a fazer a programação de uma linha de trem e administrar o carrossel operacional. Fizemos trabalhos sobre criação de linha sobre trilhos e uma análise urbana de demanda da linha.

Entre as disciplinas, tivemos segurança operacional, operação do sistema elétrico, manutenção (todos os tipos), sinalização, gestão operacional e atendimento ao usuário, entre outras não específicas, mas que eram essenciais, assim como ocorreu no Curso Rodoviário.

O trabalho de graduação do meu grupo era sobre a Linha 5-Lilás.

Curso Superior de Tecnologia em Transporte Terrestre

Oferecido pela Fatec Tatuapé, onde estudei, e também pela Fatec Barueri, o curso Superior de Transporte foi um desafio enorme, ao menos para mim. Eu sempre tive dificuldades com números e os dois primeiros semestres eram, praticamente, cálculos puros e aí percebi como meu ensino médio foi aquém para aquilo que eu iria enfrentar na faculdade. Mas independente isso, o desafio valeu, e muito, a pena.

Na Fatec, tivemos matérias para as áreas de topografia, desenho técnico, Auto Cad, planejamento urbano, elementos de via permanente e pavimentos rodoviários, tecnologia dos transportes, mobilidade e sustentabilidade, projeto geométrico de vias, sinalização rodoviária e ferroviária, operação de transporte de cargas e passageiros, sistema de informação geográfica (SIG), tecnologias energéticas, impactos ambientais, segurança viária, transporte e gestão pública, dimensionamento de frota, logística, legislação, entre outras.

Entre as matérias não exclusivas para o transporte, tivemos, inglês nos 6 semestres, cálculo, resistência dos materiais, matemática, física, linguagem, estatística, pesquisa operacional, tecnologia e inovação, além de projetos aplicados para o transporte.

Fizemos o projeto de uma linha de VLT ligando dois pontos de da cidade e, para isso, analisamos a Pesquisa OD do Metrô, adensamento, uso e ocupação do solo, padrão socioeconômico e topografia ao longo do traçado da linha. Foi muito legal.

Os professores eram, também, altamente capacitados e com conhecimentos absurdos nas áreas que lecionavam. Além disso, muitos deles eram pacientes e faziam questão seguir com a matéria apenas quando todos os alunos tinham entendido a disciplina.

Durante os três anos, fizemos visitas em vários locais, como o CCO da CPTM, Cubatão, Paranapiacaba, outras faculdades, além de muitos eventos, feiras e palestras.

Além disso, eventos e minicursos eram realizados na própria instituição todos os anos, com a participação dos alunos na organização, divulgação e convite. Nesse sentido, funcionários de empresas de transporte vieram palestrar na Fatec inúmeras vezes. São tantas coisas que fica difícil lembrar e colocar aqui no artigo.

A Fatec também possui laboratórios, como de sinalização ferroviária e rodoviária, de materiais de pavimentação e de informática, onde eram lecionadas as aulas de Auto Cad e SIG, por exemplo.

Meu trabalho de graduação foi sobre a proposta de eletrificar o futuro Corredor BRT Radial Leste para que pudesse operar com trólebus. Inclusive já postei aqui em forma de artigo, claro, bem resumido.

Mas nem tudo são flores, que fique claro

Embora a excelência dos cursos, há uma situação que ainda incomoda muitos formados na área: a falta de (re)conhecimento por parte das empresas de transporte.

Em contato com elas, muitas não sabiam da existência de tais cursos, dando, preferência para graduações mais conhecidas e consolidadas, como engenharia, arquitetura (nível superior) e edificações e logística (técnico).

Isso, na verdade, é um reflexo da falta de divulgação ou de propaganda, fato, infelizmente, comum, sobretudo na área de transporte. Pelas informações que temos, as empresas que reconhecem tais cursos, são: SPTrans (tecnólogo), CET (técnico e tecnólogo), ViaQuatro (tecnólogo), Sambaíba (tecnólogo), Gatusa (técnico), CPTM (técnico) e Petrobrás (técnico).

Das empresas citadas acima, umas aceitam o técnico e não o tecnólogo e vice-versa. Fica uma situação complicada, pois não deveria haver essa segregação.

Por outro lado, a situação parece que está mudando e esperamos que assim continue e avance. Eu, Thiago, vivo divulgando tais cursos e por meio de meu blog, o Plamurb, faço a mesma coisa também.

Independente dessas ressalvas, os cursos valem e muito a pena. O nível é altíssimo e muito se aprende durante o tempo de estudo.

No momento vivemos um “boom” da mobilidade e apenas se fala nisso em todos os cantos. E levando em conta o tempo menor de duração e o fato de serem formações mais focadas, o mercado tende a dar mais preferência a esses cursos.

Se você não conhece algum desses cursos, procure, se informe, converse com alguém que tenha feito e veja se lhe interessa, ainda mais se você gosta da área de mobilidade urbana. Garanto que você se sairá um ótimo profissional.

Neste link aqui, falamos dos três cursos, com detalhes do próprio CPS. Caso tenham interesse, vejam e depois procurem as instituições.