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Ônibus de São Paulo (Foto: Thiago Silva)

A baixa velocidade média dos ônibus de São Paulo sempre foi um desafio a ser vencido pelas gestões municipais que passaram pela cidade. E, infelizmente, todos eles fracassaram nessa missão, mesmo com algumas intervenções pontuais que resultaram em pequenas melhoras.

E no ano de 2019, a situação ficou igual e não houve avanços. Por meio do Sistema Eletrônico de Informação ao Cidadão (E-SIC) que faz parte do Portal da Transparência da prefeitura de São Paulo, solicitamos alguns dados do sistema, entre eles a velocidade média dos veículos. E o resultado foi grave.

No referido ano, a velocidade dos ônibus paulistanos nos horários de pico da manhã e da tarde ficou na média de 16 km/h, um número muito baixo diante da real necessidade da cidade, considerando, ainda, a distância que muitos percorrem diariamente.

No caso da velocidade média, a prefeitura, por meio da São Paulo Transporte (SPTrans), explicou que ela é medida em toda a extensão da linha no pico manhã e no pico tarde. A apuração é feita a partir de informações recebidas de equipamento eletrônico embarcado em cada um dos veículos chamado de Automatic Vehicle Location (AVL).

O AVL tem a função de obter informações do sistema GPS (Sistema de Posicionamento Global), estabelecer uma conexão com o centro de controle da SPTrans e enviar um pacote de dados contendo a localização exata do veículo. Essa transmissão é realizada por meio de rede GPRS a cada 40 segundos, sendo coletados, aproximadamente, 28 milhões de registros por dia, os quais são contabilizados por um sistema central denominado SIM – Sistema Integrado de Monitoramento.

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Tabela com a velocidade média por mês (Foto: Thiago Silva/SPTrans)

É um argumento batido, mas que precisa ser repetido exaustivamente diante da inércia da prefeitura em tomar medidas mais enérgicas. Sem faixas exclusivas, corredores, preferência semafórica nos principais cruzamentos, melhor condição do pavimento e restrição de estacionamento em vias estreitas onde circulam linhas de ônibus, essa situação perdurará por muitos anos e o sistema de ônibus perderá passageiros para outros modais ou serviços.

Desde que a gestão Doria (PSDB) assumiu a prefeitura, as ações no transporte se concentraram em colocar ônibus novos nas ruas, com wi-fi, ar-condicionado e tomada USB. É importante, evidente, mas longe da real necessidade no que tange à melhoria do serviço. Faz sentido ter ônibus dotados de tanta tecnologia e, ao mesmo tempo, ficarem presos no trânsito e andarem como se estivessem com problemas? Para o Plamurb, não!

Além disso, durante a gestão tucana, foi prometido um tal de Rapidão, um tipo de BRT rebatizado pelo novo prefeito. Não saiu do papel. Desde então, tanto ele quanto seu sucessor, Bruno Covas (PSDB), passaram a se gabar de colocarem veículos modernos em circulação e nada mais além disso.

Antes dele, a gestão de Fernando Haddad (PT) foi a última a investir em alguma infraestrutura para os ônibus, no caso as faixas exclusivas, que embora com um poder menor que um corredor à esquerda, beneficiou muita gente. Ainda assim, é pouco para o que a cidade precisa.

Atualmente a cidade possui pouco de mais de 500 km de faixas exclusivas à direita e 130 km de corredores exclusivos do lado esquerdo das vias. Isso em um universo de 5000 km de vias atendidas por alguma linha de ônibus. É muito, mais muito pouco.

Para se ter uma ideia de como uma estrutura adequada permite velocidades maiores, basta ver o Expresso Tiradentes, corredor exclusivo e com cobrança antecipada que circula entre o Terminal Mercado e o Terminal Sacomã. Lá a velocidade média ultrapassa tranquilamente os 30 km/h.

Vale ressaltar que se a faixa exclusiva é para ônibus, nenhum outro tipo de veículo deveria ter permissão de circular, como os táxis, por exemplo, pois isso acaba afetando a fluidez e velocidade dos ônibus.

De uma maneira geral, as soluções que podem levar à melhoria do sistema são inúmeras. Talvez não sejam fáceis, porém, completamente viáveis. Basta ter empenho e decidir, de uma vez por todas, deixar o transporte individual em segundo plano. Poxa, enquanto viadutos, pontes e novas vias são implantadas com maior facilidade, corredores à esquerda demoram anos para saírem do papel, basta ver o Corredor Leste-Itaquera que está abandonado. É preciso reverter, mudar isso. Transporte público não pode e não deve ser visto como um estorvo.