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Placa da Estação São Mateus (Foto: Thiago Silva)

Esse foi o tempo que levamos, por meio da Linha 15-Prata, entre as estações Vila Prudente e São Mateus, na zona leste da cidade. Fizemos a viagem no dia 13 de fevereiro de 2020, já no fim da manhã e no contrafluxo, ou seja, no sentido bairro. Até então, tínhamos apenas viajado no trecho inicial da linha, até a Estação Oratório.

O trem do monotrilho saiu da Estação Vila Prudente exatamente às 11h12. Chegamos em São Mateus às 11h33. Foram 21 minutos entre as duas estações. Considerando a distância de 13 km, segundo cálculo feito no Google Maps, a composição trafegou em uma velocidade comercial média de 37 km/h, aproximadamente.

A composição estava vazia, com lotação de banco apenas e a viagem foi tranquila. A nossa crítica é em relação à tremedeira do trem. Tínhamos observado isso quando testamos a linha logo após sua inauguração e em algumas outras viagens seguintes. Infelizmente o problema persiste.

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Lotação do trem no dia que fizemos a viagem (Foto: Thiago Silva)

Parecia que estávamos andando em uma via mal pavimentada. Não é algo extremamente desconfortante, mas para quem está acostumado a andar nas linhas de trem convencionais, haverá uma certa estranheza.

De dentro do trem é mais difícil de notar, mas olhando os trens no sentido contrário, é possível observar os “pulinhos” que cada carro dá ao passar sobre os trechos de junção das vigas de concreto do “trilho” por onde a composição circula. Cada carro dá o seu pulinho característico.

Lá do alto notamos, também, o trânsito nas avenidas Anhaia Melo e Sapopemba. Ficamos imaginando como seria se no lugar tivessem construído um corredor de ônibus comum ou até mesmo BRT, como ultimamente muitos vem defendendo por aí.

Aliás, durante a viagem, notamos vários ônibus da linha 5110/10 (Term. São Mateus/Term. Mercado), considerada a “rival” do monotrilho por aqueles mais exaltados e com modal de estimação. Em 21 minutos de viagem, o trem ultrapassou, lá de cima, uns três ou quatro veículos dessa linha, o que reforça que um sistema de ônibus, mesmo em corredor exclusivo, seria desvantajoso neste caso em específico.

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Ônibus da linha 5110 (Foto: Thiago Silva)

Outro detalhe que notamos foram os raios de curva que monotrilho fazia. Curvas bem fechadas que acompanhavam o viário, algo mais difícil e menos provável em uma linha de trem comum.

Ao chegar em São Mateus, descemos pela escada fixa, já que a rolante estava manutenção. O espaço do mezanino é amplo e dará conta em situações de grande fluxo. Ao sair para a rua, passamos pelo bicicletário da estação. O equipamento é bem pequeno se comparado aos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e não havia funcionário cuidando do local.

Embora tenha sido apenas a primeira (de muitas) viagem no trecho total da linha e em um horário de menor movimento, o monotrilho da Linha 15-Prata está aprovado, mesmo com o inconveniente da trepidação. Não dá para pensar em modal abaixo do monotrilho na região, muito pelo contrário, é do monotrilho para cima. Como dissemos em outro artigo, a discussão deveria ser entre o monotrilho e metrô convencional, e não corredor BRT.

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Bicicletário da Estação São Mateus (Foto: Thiago Silva)

Vivemos em uma das maiores metrópoles do mundo e, por conta disso, existem várias soluções para a mobilidade no que tange ao modal ou tecnologia utilizada em cada canto da cidade. E, dependendo da região, a solução pode ser um corredor comum, um BRT, um monotrilho ou um trem convencional.

O que não se pode é deixar a paixão cobrir a sensatez e a razão na escolha ou preferência por um modal adequado para cada caso. Vejam bem, há espaço para todos. Vai depender de vários fatores, a começar pela demanda da região, por exemplo. No caso da Linha 18-Bronze, os munícipes saíram perdendo com essa troca política.

Voltando a falar da Linha 15-Prata, é mais do que necessário que a linha chegue em Cidade Tiradentes. O tempo gasto cairá muito, se comparado ao atual feito por ônibus e qualidade de vida irá melhorar, pois poderá proporcionar mais horas de sono, tempo com a família e oportunidade de empregos.

Para vocês terem uma ideia, esses 21 minutos que gastamos no monotrilho é o mesmo tempo que eu, Thiago, Editor do Plamurb, levo entre minha casa até a Estação Santana utilizando ônibus em uma distância de 3,5 km. Ou seja, de monotrilho, gasta-se o mesmo tempo trafegando uma distância quase quatro vezes maior. Imaginem quando a Linha 15-Prata estiver redondinha?