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Figura de um político (Foto: Sim Notícias)

Estamos em 2020, ano de eleições municipais nas cidades brasileiras. Teremos que escolher um chefe do executivo e vários representantes do legislativo. A atenção começa aí. Jamais temos que deixar tudo nas costas do prefeito, mas ao mesmo tempo, ter plena atenção na hora de escolher quem vai ocupar a cadeira do alcaide.

Em São Paulo, na eleição de 2016, tivemos um candidato que se vendeu como gestor e que negava ser político. Era tudo o que a população queria ouvir em um momento de descrença em nossos políticos de longa data. O resultado não poderia ser diferente. Vitória em primeiro turno.

Mas esse mesmo candidato não honrou a vitória esmagadora, um feito inédito, diga-se de passagem. Nos dois ou três primeiros meses, suas ações, indiscutivelmente causaram grande espanto e um entusiasmo sem precedentes. Logo cedo, o novo prefeito vestia sua roupa de gari e saía por aí recolhendo lixo, varrendo ruas, pintando sarjetas e etc.

Mas isso começou a ir ladeira abaixo. Suas ações começaram a não surtir o efeito desejado. Muito pelo contrário. Ficou claro que o novo prefeito nunca quis ser prefeito e que havia usado a cidade apenas como trampolim.

Nos 15 meses que ficou à frente da prefeitura, após prometer que cumpriria os 4 anos, o prefeito protagonizou ações desastrosas, principalmente na área de mobilidade urbana e zeladoria. Vejamos algumas delas:

  • Aumentou as velocidades nas marginais;
  • Tirou a exclusividade dos ônibus no Viaduto Plínio de Queiroz e ainda alegou que no local passavam poucos ônibus;
  • Segurou o valor da tarifa, mas aumentou o valor da tarifa integrada ônibus/trilhos;
  • Aumentou o valor dos bilhetes temporais, tornando-os desvantajosos;
  • Descontinuou a implantação de ciclovias e faixas exclusivas para ônibus;
  • Implantou um muro de vidro na USP que depois passou a dar problemas e hoje está largado;
  • Substituiu o grafite por um muro verde que também está sem manutenção;
  • Se preocupou apenas em colocar ônibus novos nas ruas, sem uma estrutura adequada para eles que fizesse, ao menos, a velocidade aumentar;
  • Prometeu rever a licitação dos ônibus, melhorando alguns pontos e lançar em seu primeiro ano de mandato;
  • Reduziu verba para combater enchentes;
  • Engavetou o projeto urbano do Arco Tietê;
  • Remanejou para outras áreas, verbas que seriam usadas na manutenção ou construção dos corredores.

Tudo isso em apenas 15 meses. E apenas apontamos os deslizes dentro das áreas abordadas por este blog. Em outras áreas, ocorreram erros similares.

E antes que vocês venham nos acusar de algo, algumas das ações errôneas similares às acima já foram realizadas por prefeitos anteriores. Porém, nenhum dos prefeitos anteriores se venderam como gestores e que não eram políticos. Nenhum dos prefeitos anteriores prometeu que, agora, tudo seria diferente. E com exceção de apenas um deles, nenhum outro prometeu ficar os 4 anos e depois deu desculpas esfarrapadas para justificar a saída da prefeitura pouco mais de 1 ano depois. Todo o estardalhaço foi em vão.

E estamos pagando o preço disso até hoje, principalmente você que depende do transporte público, ou mobilidade urbana em geral, para se locomover. Para nós, dentro dessa área, foram 4 anos perdidos.

O que estava ruim na gestão anterior, ou foi piorado ou foi mantido com um outro nome “gourmetizado”. O que estava bom foi extinto, descontinuado ou, digamos, alterado para não ter a “cara” da gestão anterior, mesmo que essa alteração viesse a prejudicar milhares de paulistanos.

O prefeito que assumiu no lugar parece não levar a cidade a sério. Deixou ações importantes para o último ano, como se isso pudesse mudar a opinião pública, que até o momento vem tecendo críticas ao referido sucessor.

Fica, então, o alerta para que isso não se repita. Não que um político não possa ser gestor, muito pelo contrário. Porém é preciso observar a ênfase dada a isso. Depois desse prefeito, ficou claro que ser gestor não é virtude alguma, basta ver como ficou a cidade após sua quebra de promessa.

E não temos receio de afirmar que esse foi um dos piores prefeitos que passaram pela cidade. Para começar que ficou apenas 15 meses à frente da prefeitura, quebrando a promessa de campanha. E em tão pouco tempo implementou desastres urbanos que nem aqueles outros prefeitos que ficaram os quatros anos, fizeram. Terrível.

Aliás, uma pessoa dessas, jamais deveria ser eleito para outro cargo, porém, infelizmente foi eleito governador. E para não perder o costume, agiu de forma imprudente e foi responsável por mais um retrocesso dentro da área de mobilidade urbana, ao permitir a substituição do monotrilho da Linha 18-Bronze por um BRT.

E assim como fizemos na eleição passada, vamos analisar novamente todos os planos de governo dos candidatos à prefeitura de São Paulo dentro das áreas de mobilidade, saneamento, sustentabilidade e acessibilidade. E a partir de aí, mostrar quais ideias nos agradaram e que são boas para a sociedade em geral.

Analisem bem as propostas do seu candidato. Cobrem, deem sugestões. Sejam críticos. E como dizem no jargão popular, parem de “passar um pano” para ele. Mais quatro anos de retrocessos na área de mobilidade urbana, não dá.