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Imagem de trânsito (Foto: Icetran)

O ano de 2019 já passou e, agora, neste novo ano que se iniciou, as atenções estão voltadas para ações importantes que poderão ser levadas adiantes, podendo ser implementadas ainda em 2020 ou, no mais tardar, em 2021, dependendo da complexidade.

Para começar, é ano de eleição municipal, portanto, muitos prefeitos, pensando em reeleição ou até mesmo candidatos a ocupar o posto, tentarão cair nas graças dos eleitores, prometendo tudo o que for possível.

E mesmo nas esferas onde não haverá eleição, como a estadual ou federal, seus chefes do executivo, pensando em ganhar visibilidade e até turbinar a candidatura dos postulantes ao cargo, estão prometendo muitas coisas. Porém, é sabido o que pode ou não sair do papel.

E o Plamurb listou algumas ações importantes que podem sair do papel em 2020 e cuja necessidade é urgente. Vamos falar um pouco sobre elas:

Mobilidade urbana

Dentro da área de mobilidade urbana, o projeto mais importante é a retomada das obras da Linha 6-Laranja que estão paradas há mais de três anos, e vem prejudicando dos moradores da zona norte de São Paulo que continuam a depender do serviço de ônibus para se deslocar pela cidade. O governo estadual chegou a anunciar que uma empresa espanhola compraria a concessão, fato que ainda não ocorreu, principalmente porque uma empresa chinesa também está interessada.

Não se pode esquecer da Linha 18-Bronze, que foi cancelada após uma decisão desastrosa e política da gestão de João Doria (PSDB) e, agora, será um simples corredor BRT. Ao que tudo indica, as obras começam em 2020, mas sem plena certeza.

Ainda em São Paulo há outros dois projetos importantes, no caso o Trecho Norte do Rodoanel e o Trem Intercidades. No caso do Rodoanel, as obras também estão paradas e o governo espera retomar ainda esse ano, após escândalos de corrupção e encarecimento da obra. O governo afirma que o trecho em questão será primordial para desafogar a Marginal Tietê.

No caso do trem que ligará São Paulo a Campinas, ainda há a dependência do governo federal, visto que parte do trecho a ser usado é uma concessão federal, embora a gestão Bolsonaro já tenha sinalizado para a renovação antecipada de modo que a atual concessionária libere parte da faixa para a ligação ferroviária.

Temos também o projeto do prolongamento da Linha 2-Verde entre Vila Prudente e Penha, além da nova Linha 19-Celeste, que ligará Guarulhos ao centro de São Paulo.

Na cidade de São Paulo, temos, também, a promessa de implantação de novas faixas exclusivas para ônibus e novas rotas para bicicletas. Além disso, o novo contrato com as empresas de ônibus foi assinado e haverá mudanças substanciais em linhas e na operação como um todo.

Saindo da cidade, há os BRTs de Campinas e Sorocaba, que estão com suas obras a todo vapor. No litoral, há o projeto do prolongamento do VLT da Baixada Santista.

Em nível federal, o governo sinaliza para a concessão da operação dos metrôs operados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). É provável que apenas os estudos avancem nesse ano, e nada mais além disso.

Saneamento básico

Na área de saneamento básico nem precisamos escrever muito. A principal ação é a aprovação do novo marco regulatório, que prevê a facilidade da entrada de empresas privadas no setor, em certos casos, substituindo as estatais que já prestam o serviço.

A medida é polêmica justamente por isso, já que o governo tende a preterir as estatais, dando prioridade ao setor privado, o que se traduz na simples troca de um por outro, sem a efetiva certeza que a universalização virá o quanto antes. A proposta passou pela Câmara dos Deputados e agora está no Senado.

Independentemente de quem prestará o serviço, a aprovação é importante, pois metade da população brasileira não possui saneamento básico, o que acaba por impactar na saúde e na mortalidade infantil.

Sustentabilidade

As ações do governo estão concentradas na utilização de combustíveis menos poluidores e de novas fontes de energia renovável, como a eólica e solar, embora essa última tenha causado discussões em relação ao fato de uma “taxação” por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Uma resolução prevê que apenas uma compensação parcial na conta de luz do produtor rural e não totalmente, como é realizada atualmente. A ANEEL alega que há alguns custos, diferente de quando os incentivos foram criados. Por outro lado, muitas empresas e produtores rurais, que passaram a investir em energia solar, afirmam que a taxação não dá segurança jurídica, já que a agência prometeu previsibilidade por 25 anos e os investimentos foram de longo prazo. Vamos falar sobre esse assunto em artigo futuro.

Em algumas cidades brasileiras, carros e ônibus elétricos (com baterias) já são usados em caráter de testes, o que pode ajudar a reduzir a poluição do ar, e a tendência é que em 2020, esse uso aumente, à medida que os custos sejam reduzidos e incentivos forem dados.

Outra ação importante que aumentará muito nesse ano é o uso das bicicletas e dos patinetes elétricos e, para isso, o poder público precisa fornecer a infraestrutura necessária para esses modais.

Enfim, de uma maneira geral, são centenas de ações que serão tomadas em 2020, porém, listamos as mais importantes. Acreditamos que elas, se feitas de forma correta, terão tudo para melhorar a vida do brasileiro. Resta saber se o governo compreenderá isso.