8cbdb65d1701ca4f3bc234acf68e555300f63f1cf5b440f1943be8878af58811_5b19be1d144a8-768x512
Bilhete Único (Foto: SPTrans/Divulgação)

O valor de tarifa de ônibus acaba de aumentar. Passou de R$ 4,30 para R$ 4,40. Quando foi anunciado esse reajuste, a nossa expectativa era que os bilhetes temporais, tanto o mensal quanto o diário, não sofressem aumento, de modo que a diferença entre a recarga comum e crédito temporal fosse menor, tornando-o, pouco a pouco, mais vantajoso.

Infelizmente, a nossa esperança foi pelo ralo. Os bilhetes temporais também foram reajustados, continuando desvantajosos, principalmente para quem trabalha de segunda a sexta, ou seja, 22 dias úteis por mês.

Essa modalidade do cartão foi promessa de campanha do, então candidato, Fernando Haddad (PT). Assim que assumiu a prefeitura, Haddad iniciou as tratativas para a sua implantação. Em abril de 2013 teve início o processo de cadastro, sendo que o bilhete começou a valer no final do mesmo ano.

Desde sua implantação, até o último ano da gestão petista, o valor da cota era sempre menor do que o valor da recarga comum, considerando as 44 viagens (22 por sentido).

Em 2017, assim que o prefeito eleito, João Doria (PSDB), assumiu a prefeitura, sua promessa de campanha, de não aumentar o valor da tarifa, foi cumprida. Entretanto, esse congelamento pegou o governo do estado de surpresa, já que estava quase certo o aumento da tarifa na Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Para compensar essa perda, o governo do estado aumentou a tarifa de integração entre trilhos e pneus e o município, por sua vez, reajustou os bilhetes temporais, entre eles o Bilhete Único Mensal (BUM).

De lá para cá, o BUM passou a ser desvantajoso justamente nos dias onde o apelo pela utilização do transporte público deveria ser maior, ou seja, de segunda a sexta, período onde o excesso de veículos particulares atrapalha a operação dos coletivos, sobretudo nas vias desprovidas de corredor ou faixa exclusiva.

O BUM passou a custar R$ 213,80. Quem trabalha de segunda a sexta, fazendo uma recarga comum, gastará R$ 193,60, uma diferença de R$ 20,2 para menos. Se a pessoa, porém, trabalhar de segunda a sábado (26 dias úteis), seu custo utilizando uma recarga comum será de R$ 228,80. Neste caso, a diferença é de R$ 15,00 e aí é melhor usar a cota mensal.

Porém, é preciso compreender que aos finais de semana, muita gente acaba por usar seu automóvel para seus afazeres ou até mesmo para trabalhar. E sabemos também que aos sábados e domingos, os intervalos dos ônibus são maiores e hoje, com tantas novas formas de se deslocar, é difícil alguém ficar por muito tempo aguardando um coletivo.

Estamos dando ênfase no BUM para quem trabalha de segunda a sexta, por que, em qualquer lugar do mundo, a proposta de fidelizar um passageiro é feita nas mais variadas situações, a começar para quem trabalha, no mínimo, nos dias úteis.

O próprio Bilhete Fidelidade do Metrô e CPTM é vantajoso em qualquer uma das recargas vendidas (08, 20 ou 50 viagens), ou seja, você vai pagar menos do que pagaria se fizesse uma recarga comum considerando essas viagens citadas.

A gestão Doria/Covas (ambos do PSDB), matou o BUM e a cada ano que passa, fica difícil acreditar que terão coragem de tornar essa modalidade vantajosa novamente. E pior: há o risco de a utilização ser muito baixa a ponto da prefeitura considerar a sua desativação, assim como aconteceu com o Bilhete Único Semanal.

Saindo um pouco da área de transporte, na área comercial, por exemplo, se você compra vários produtos iguais ao mesmo tempo, acaba por pagar menos, fato que não ocorre se comprar cada produto individualmente.

A prefeitura sabe disso, mas por algum motivo não quer aplicar essa regra que, no passado, já existia. Lembramos que durante o processo de concessão do serviço de ônibus, o prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que com a nova licitação, o custo do transporte iria diminuir. Esperávamos que isso poderia ser uma alternativa para o não aumento do BUM e até mesmo da tarifa.

Sabemos que os custos dos insumos (combustível, lubrificantes, mão-de-obra) aumentaram, mas a prefeitura precisa se virar e agir com pulso firme para tornar o transporte por ônibus mais atraente, barato e de qualidade. Ficar entregando ônibus com ar-condicionado, wi-fi e USB, é pouco, mas muito pouco em relação ao que o passageiro quer. Mas o que esperar de um prefeito que vem brigando exaustivamente para aumentar o valor do Vale-Transporte?