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Trem-bala (Foto: EBC/Rede Metropolitana/Creative Commons)

Pois é, o polêmico Trem de Alta Velocidade (TAV), conhecido popularmente como trem-bala, voltou ao radar do governo federal. A ligação entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro pode tomar corpo novamente no governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

O projeto do TAV no Brasil é antigo, e ganhou força, sobretudo em 2007, quando o país foi apontado como sede da Copa do Mundo de 2014. O traçado ligando Campinas ao Rio de Janeiro foi escolhido como forma de facilitar e incrementar o deslocamento entre São Paulo e Rio de Janeiro, já que as duas cidades seriam, respectivamente, as sedes de abertura e encerramento do evento futebolístico.

Na época, a Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef garantiu que o TAV já estaria em pleno funcionamento para a Copa, em 2014, o que não acabou ocorrendo.

Para conduzir esse projeto, foi criada, em 2012, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), empresa essa que quase foi fechada no atual governo. A título de curiosidade, escrevemos um artigo bem detalhado sobre esse trem e você pode ler clicando aqui.

Voltando a falar do trem-bala, segundo o portal O Globo, as conversas acerca do assunto recomeçaram no ano de 2016, quando Michel Temer (MDB) ainda era presidente, porém, naquele momento, o foco era outro e o assunto foi, digamos, encerrado ali mesmo.

Agora, no governo Bolsonaro, o assunto foi retomado e com um grande aliado: a China. Isso mesmo, algumas empresas chinesas demonstraram interesse em assumir a obra, mas desde que haja segurança jurídica para isso, ou seja, querem que o governo de garantias legais de que as obras comecem e sejam finalizadas.

O Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que para nós vem conduzindo muito bem a sua pasta, está analisando a ideia, mas já deixou claro que caso seja dado um sinal verde, o TAV só seria retomado após o processo de concessão dos aeroportos de Congonhas e São Dumont.

Segundo o ministro, caso o TAV seja retomado antes da concessão dos dois terminais aeroportuários, poderia haver uma desvalorização dos dois ativos, o que comprometeria a concessão. O cronograma do governo prevê desestatizar os dois aeroportos em 2022, ou seja, o TAV só seria retomado em 2023.

Neste caso, porém, um novo presidente poderia estar no comando do país e aí, a decisão de continuar ou engavetar o TAV ficaria na mão do novo governo, que poderia ser, novamente, Bolsonaro, que já demonstrou interesse em concorrer à reeleição.

Na época, o TAV foi orçado em R$ 50 bilhões, valor altíssimo e muito controverso, já que muitos alegaram que essa verba toda poderia ser melhor usada em trens de média velocidade, uma vez que a ponte aérea já daria conta do recado.

A justificativa de Tarcísio de Freitas é coerente, mas poderá ter seus efeitos colaterais. Caso o TAV saia do papel após a concessão dos aeroportos e o serviço for altamente competitivo, a concessionária poderia solicitar um reequilíbrio financeiro do governo, fato comum no país. Ou, talvez, poderá haver um lobby contrário ao TAV, fato também comum no Brasil.

Nós do Plamurb ainda temos muitas ressalvas quanto a esse projeto. Será que faria sentido investir em um sistema ferroviário supermoderno como esse TAV, enquanto que a malha sobre trilhos existente no Brasil continua precária, defasada e largada? Veja bem, deixamos claro que uma coisa não inviabiliza a outra, mas é meio contraditório querer se lançar como um dos países a possuir uma rota de Trem-Bala, e por outro lado ter milhares de quilômetros de ferrovias abandonas Brasil à fora. É como se estivéssemos pulando uma etapa.

Não temos, sequer, um sistema de trem que saia de São Paulo e nos leve a Campinas ou a Santos. Por que, antes disso, não recuperar e investir em trens de média velocidade, que podem ser uma boa alternativa? Afinal, as velocidades de 180 km/h, são quase que o dobro dos ônibus rodoviários e já ajudaria bastante a desafogar as nossas estradas. Nós já temos a malha e basta uma boa recuperação e retificação de certos trechos, tornando-os menos sinuosos de forma a permitir as médias velocidades.

Sonhar alto é legal e importante, mas antes disso seria melhor colocar os pés no chão e subir um degrau por vez. Temos muito o que aprender com as ferrovias antes de dar um salto desses.