size_960_16_9_ciclista-em-sao-paulo
Ciclista passando sobre ponte em São Paulo (Foto: Fábio Arantes/SECOM/Reprodução)

As ciclovias proporcionaram e estão proporcionando um novo jeito de se deslocar pela cidade e de forma segura. Durante a gestão de Fernando Haddad (PT), vários quilômetros foram implantados. A Gestão de João Doria (PSDB), paralisou o processo. Seu sucessor, Bruno Covas (PSDB), seguiu a mesma linha, porém, agora, dá sinais que irá retomar a ampliação cicloviária na cidade, correndo atrás do prejuízo.

Sendo assim, a prefeitura acaba de anunciar o novo Plano Cicloviário da cidade. Serão 173 km de novas conexões e 310 km de reformas e melhorias em estruturas já existentes.

Segundo nota da prefeitura, com o Plano, a malha cicloviária da cidade se tornará mais segura, de melhor qualidade e focada em mobilidade, além de ter menor custo com sinalização.  O projeto também prevê 12 km de remanejamentos, considerando as particularidades do viário, a segurança dos usuários e a fluidez no trânsito.

A gestão municipal garante que nenhum km será retirado, o que o blog espera que realmente seja cumprido, pois cada centímetro a menos, representaria um grande retrocesso.

O investimento no Plano Cicloviário será de R$ 325 milhões e será acompanhado de um projeto de recapeamento orçado em R$ 250 milhões. No total, a cidade passará dos atuais 503 quilômetros para 676 quilômetros de vias para ciclistas em 2020, sendo que 73% dessas estruturas estarão interligadas ao transporte coletivo.

“O objetivo do prefeito Bruno Covas é transformar a cidade de São Paulo na capital brasileira do cicloviário. E isso de fato ocorrerá”, explicou o secretário do Governo Municipal, Mauro Ricardo Costa.

O plano foi construído por meio da participação da população. Foram realizadas 10 audiências públicas, seguindo o previsto na Lei 16.885/2018, que cria o Sistema Cicloviário do Município de São Paulo, e 10 oficinas participativas organizadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela Câmara Temática de Bicicleta (CTB).

“As ações devem ser finalizadas até 31 de dezembro de 2020. Mas vamos trabalhar no sentido de acelerar os processos”, afirmou o secretário de Mobilidade e Transportes, Edson Caram.

Desde que as ciclovias e ciclofaixas foram implementadas na cidade, houve redução de 61% no número de óbitos envolvendo ciclistas.

Novas conexões

A definição das novas conexões foi feita após uma análise técnica com o objetivo de ligar diferentes modais, permitindo que o início e o fim de um deslocamento sejam realizados por bicicleta. Também foram preservadas a capacidade de fluxo da via e a quantidade de pistas ocupadas por automóveis.

Para nós isso foi um erro, pois, mais uma vez, a proposta considerou a situação atual do viário e na intocabilidade do transporte individual. O Plamurb acredita que se fosse necessário suprimir uma faixa atualmente usada pelos automóveis e demais veículos particulares, que tal ação seja feita.

A estrutura cicloviária da Radial Leste, por exemplo, que hoje liga o Metrô Itaquera ao Metrô Tatuapé, ganhará 5,7 km de conexão passando a chegar até o Parque Dom Pedro II. Já na Zona Oeste serão construídas ciclofaixas na Avenida Henrique Schaumann e na Avenida Rebouças conectando a malha até a Avenida Sumaré, Avenida Paulista e Avenida Faria Lima, chegando até a Avenida Berrini.

As novas conexões vão permitir que a população passe a acessar de forma mais fácil terminais de ônibus, trens, metrô, bibliotecas, escolas, parques e postos de saúde.

Reformas e melhorias

Um total de 56,9 km de ciclofaixas e ciclovias já receberam serviços de fresa e recape. Destes, 24,2 km também já receberam sinalização e foram entregues como as ciclofaixas Artur de Azevedo, Corifeu de Azevedo Marques e George Corbisier. Para a escolha desses endereços foram levados em conta itens como riscos ao ciclista, falta de sinalização em cruzamentos, degradação do pavimento e volume de utilização.

Segundo a prefeitura, o modelo antigo contemplava sinalização do solo com tinta comum, aplicação de tachão a cada dois metros e obras apenas em ciclovias. Já o modelo adotado pelo Plano Cicloviário usa tinta antiderrapante, aplicação de tachão a cada metro, manutenção de guias e sarjetas, manutenção de drenagem, reconstrução de canteiro, fresa e recapeamento. O valor médio corrigido gasto com sinalização no modelo anterior foi de R$ 222 mil por quilômetro, enquanto no atual será de R$ 140 mil.

“Com essas grandes obras e melhor sinalização, as ciclofaixas e ciclovias terão mais durabilidade, além de proporcionar mais segurança e conforto aos ciclistas. Queremos trazer a população cada vez mais para a mobilidade ativa e as novas conexões também foram pensadas nesse sentido, levando os usuários aos pontos de interesse da cidade”, afirma o secretário de Mobilidade e Transportes, Edson Caram.

Remanejamento

O Plano Cicloviário prevê o remanejamento de 12 quilômetros de ciclofaixas e ciclovias. Todo km retirado, no entanto, será compensado. Para as estruturas remanejadas avaliou-se a falta de integração com outros modais de transporte, equipamentos públicos e a própria malha já existente, além do uso indevido pela baixa utilização como carros estacionados e comércio ilegal.

Opinião Plamurb

O Plamurb vê com empolgação essa ampliação da rede. Uma das maiores reclamações, até então, no caso a falta de conectividade, será corrigida e isso poderá tornar as viagens mais rápidas e seguras, além, claro, da economia no bolso de seus usuários.

E mesmo que muitos ainda torçam o nariz para esse tipo de estrutura, ela veio para ficar e não há o que possam fazer, a não ser aceitar esse novo conceito de mobilidade democrática, onde todos terão os mesmos direitos do ponto de vista de descolamento urbano.

Porém, temos algumas críticas pontuais a fazer, algumas delas já deixamos claro no artigo, mas reforçaremos novamente:

  • Qual o motivo dessa lacuna de 3 anos para dar continuidade ao plano cicloviário?
  • Conectividade com outros meios de transporte, como estações e terminais de ônibus, eram premissas básicas. Se esse foi o argumento para a demora em ampliar a estrutura, é uma justificativa vaga;
  • Ainda não fomos convencidos de que a baixa utilização é motivo para a remoção de uma ciclovia ou ciclofaixas, mesmo por que, esse argumento pode, muito bem, ser usado em outros casos, e temos certeza que a prefeitura usaria de alguns artifícios nessas outras situações. É perigoso fechar o argumento nesse ponto;
  • No que diz respeito a não pintura das ciclovias, em que pese a suposta economia de recursos, acreditamos que deva prevalecer a segurança dos ciclistas. E em nossas observações, a percepção de que há uma ciclovia em determinada via é muito maior quando a pintura está em toda extensão, e não apenas nas extremidades ou cruzamentos;
  • Ainda ficamos ressabiados com a justificativa da CET em preservar a capacidade de fluxo da via e a quantidade de pistas ocupadas por automóveis. Isso, sinceramente, não “desceu”, como diz o jargão popular. Soa como uma condição para a implantação das rotas ciclísticas;

Enfim, vamos aguardar o processo de implantação e acompanhar de perto, apontado os erros, seguidos de alternativas, e, claro congratular a prefeitura, de uma maneira geral, por essa boa iniciativa, tomada tardiamente, sabemos, mas que vem em um momento onde a demanda por esse tipo de transporte só aumenta.