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Entrada da Estação Guaianases (Foto: Mural/BlogFolha)

O transporte público em São Paulo é único e muito singular quando comparado a outras cidades brasileiras e mundiais. Aqui, tudo é “elevado ao cubo”. Até mesmo as boas ideias vindas de fora precisam ser muito bem adaptadas para a nossa realidade.

No transporte sobre trilhos, é a mesma coisa. De manhã, temos um grande fluxo de pessoas saindo de suas casas e, ao final do dia, retornando para as suas residências. O problema é que todo mundo faz isso quase ao mesmo tempo, o que gera os famosos gargalos, tanto nos embarques nos trens, quanto no próprio acesso à estação.

E por conta desse movimento pendular, em algumas situações, não seria prudente gastar uma fortuna reformando ou modificando detalhes, que ficariam boa parte do dia ociosos. Por conta disso é necessário colocar a cabeça para funcionar e pensar em pequenas soluções, sobretudo em um momento onde a escassez de recursos bate na porta diariamente.

A Estação Guaianases sofre todos os dias com esse grande número de pessoas e para contornar isso, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), colocou em prática uma boa ideia que proporcionou um resultado muito positivo.

Segundo nota da estatal, passageiros que embarcam entre 6h e 8h, ganharam até 20 minutos diários no tempo de deslocamento até a plataforma. Com a instalação de mais três catracas e uma campanha de conscientização junto aos passageiros, para que tenham o bilhete em mãos ao chegar no validador, a CPTM acabou com as longas filas que se formavam nos corredores de acesso à estação.

Com a instalação de mais três validadores, a Estação Guaianases conta agora com 16 equipamentos. Todos funcionam no sentido de embarque, no período da manhã. O aumento de validadores aliado à colaboração dos passageiros que já chegam com o bilhete na mão, o embarque na estação saltou de 13,6 mil pessoas/hora para 17,4 mil pessoas/hora. Por dia, embarcam a média de 78 mil pessoas na Estação Guaianases.

Com o fim das filas, o passageiro ganhou um outro benefício, que foi a abertura do acesso central da Rua Salvador Gianetti ao corredor subterrâneo no horário da manhã. “Esse acesso ficava fechado porque a pessoa sai no meio de uma das rampas da estação, onde já tinha fila formada no horário de maior movimento da manhã”, explicou o chefe da Estação Rocha. “O fechamento visava evitar o confronto de passageiros entrando no meio da fila, mas agora permanece aberto já que não há mais filas ao longo do corredor”.

“A economia de tempo para todos os passageiros é resultado de uma iniciativa da equipe da Operação, que reorganizou os acessos e fez um trabalho de conscientização junto ao passageiro dando mais agilidade ao fluxo nos corredores”, disse Pedro Moro, presidente da CPTM. “Além de dar andamento às obras de modernização e expansão da Companhia, trabalhamos para aperfeiçoar a estrutura existente, trazendo novas soluções para prestar um serviço cada vez melhor aos cidadãos”, afirmou.

O Plamurb já cansou de escrever aqui que muitas vezes não é necessário reinventar a roda para tornar o transporte público mais atrativo e de qualidade. Vejam neste caso de Guaianases, uma simples ação com a implementação de três novos bloqueios causou um grande benefício para os passageiros.

Há alguns dias, mostramos imagens das estações Jardim Belval e Jardim Silveira reformadas. Ambas, agora, possuem vários itens de acessibilidade. E não foi preciso construir uma nova e enorme estação. Foi usada a estrutura atual das paradas, o que reduziu e otimizou custos, garantindo uma qualidade maior.

No caso dos três bloqueios novos, como não havia espaço físico para colocá-los paralelamente aos atuais, a CPTM fez uma espécie de canalização e os implantou mais a frente, conforme se pode ver no vídeo abaixo extraído do Facebook da empresa. Uma boa sacada.

Para se ter uma ideia, em novembro, a média de embarcados na Estação Guaianases foi de mais de 78 mil pessoas, colocando-a na oitava colocação entre as estações da empresa mais carregadas. Realmente algo precisava ser feito ali. Ponto para a CPTM.