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Rua Boa Vista (Foto: Thiago Silva)

A Sexta Sem Carro foi implantada em 2017 durante a gestão de João Doria (PSDB), mas por iniciativa de seu secretário de Transporte, Sérgio Avelleda. O fato ocorre na última sexta de cada mês.

Neste dia somente ônibus, táxis, veículos escolares, bicicletas e carros que possuem cartões do idoso e pessoas com deficiência (Defis) podem circular em toda a extensão das seguintes vias: Rua Boa Vista, Ladeira Porto Geral, Largo de São Bento, Rua Líbero Badaró, Viaduto do Chá e num trecho da Rua Florêncio de Abreu (entre a Ladeira da Constituição e a Rua Boa Vista).

A ação, talvez, tenha sido implementada como forma de mostrar alguma preocupação com a mobilidade urbana, depois de vários retrocessos nos primeiros meses da gestão tucana e que, infelizmente, continua até os dias atuais com o seu sucessor, Bruno Covas (PSDB).

Em que pese certas ressalvas (que já abordamos em outros artigos), alguns detalhes nos chamou a atenção. Veja, desde a implantação, temos acompanhado como fica o trânsito nas ruas do entorno e na própria Rua Boa Vista. Felizmente o resultado nos pareceu muito satisfatório.

Na referida rua, do lado direito, a calçada é ampliada por meio de cones, dando mais espaço para os pedestres. Como desse mesmo lado há um ponto de táxi e estacionamento regulamentado, essa faixa também é recuada no sentido da rua. Do lado esquerdo já há uma ciclofaixa.

Sobra apenas uma faixa de circulação para os veículos com permissão de rodar na data. O mais curioso é que mesmo com uma faixa a menos (no dia a dia, são duas), não se forma trânsito na Rua Boa Vista e, muito menos, em ruas paralelas que poderiam ser usadas como alternativa de circulação.

Muito pelo contrário, na Sexta Sem Carro, com apenas uma faixa de rolamento, o trânsito flui muito melhor do que nos outros dias com duas faixas disponíveis.

Isso coloca em xeque o velho argumento de que os carros acabam sendo prejudicados ou o trânsito piora quando a prefeitura decide tornar uma faixa exclusiva para ônibus, sejam nos corredores à esquerda ou faixa à direita.

Evidente que no caso da Rua Boa Vista, muitos automóveis deixam de rodar, fato que não ocorre em outras ruas e avenidas na cidade, porém, isso vai ao encontro de que quando você reduz o número de automóveis circulando em determinado lugar, o transporte por ônibus flui melhor, basta ver em dias de menor movimento, como domingos e feriados, onde as viagens de ônibus são mais rápidas.

É preciso pensar nisso seriamente e, por que não, analisar a viabilidade de se implantar mais “Sextas Sem Carros” em outras vias da cidade. E isso seria apenas o começo. Quem sabe no futuro, a proibição não seja ampliada em mais dias e horários. Claro, com boas opções de transporte público, fato existente na Rua Boa Vista.

O que não se pode, é continuar abrindo novas vias com o único propósito de melhorar a fluidez dos automóveis, que muitas vezes transportam, no máximo, duas pessoas e prejudicam a circulação do ônibus em regiões com alta demanda, mas com espaço físico insuficiente para uma infraestrutura mais adequada, como faixas e corredores.

É difícil de acreditar e aceitar, mas na Rua Boa Vista, o trânsito flui melhor com uma faixa a menos na última sexta do mês. A cultura pró automóvel ainda está impregnada na gente, mas a Sexta Sem Carro dá pequenos sinais de que muitas falácias, realmente, não passam de falácias.