Passarela desaba e trava trânsito na Marginal do Tietê
Acidente com a passarela na Marginal Tietê (Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo)

Dizem que morar na cidade de São Paulo não é coisa para amadores e concordamos com isso. E no último dia 14 de novembro, isso ficou claríssimo após a queda de uma passarela na Marginal Tietê na altura do pontilhão da Companhia Paulista de Trens de Metropolitanos (CPTM) por onde a Linha 7-Rubi passa.

Imaginem a situação: Marginal Tietê, chuva, véspera de feriado, horário de pico e trânsito pesado. O resultado não poderia ser diferente. Caos total. Definitivamente, viver aqui não é para amadores mesmo.

Mas vamos além disso, inclusive já tocamos nesse assunto diversas vezes. Até quando seremos tão dependentes da Marginal Tietê e da Pinheiros também?

No dia que ocorreu esse incidente, a região simplesmente parou. Não havia nada o que fazer. Os motoristas que ali estavam, simplesmente pararam, desligaram os motores de seus veículos e cruzaram os braços. Pode uma situação dessas?

Enquanto o problema persistia, acompanhamos as redes sociais e soubemos que havia filas enormes dos ônibus rodoviários para acessarem o Terminal Tietê. E para sair dele? Muito difícil. O mesmo para a Rodoviária da Barra Funda.

O blog Circular Avenidas destacou que muitas linhas rodoviárias dependem da Marginal e da Rodovia Castello Branco para irem a seus destinos, como Campinas, Sorocaba, Vale do Ribeira, cidades do Paraná e etc. Sem conseguir acessar essa rodovia pelo fato do bloqueio na Marginal Tietê, as viagens atrasaram e houve superlotação nas duas rodoviárias.

O mesmo blog mostrou que a Barra Funda parecia a “Estação Sé”. Os ônibus não saiam e nem conseguiam chegar.

Como pode um bloqueio na Tietê causar tudo isso? Não há nenhuma rota alternativa que possa mitigar situações desse tipo?

É uma dependência excessiva e, de certa forma, nociva, pois ao longo dos anos, foram acrescentadas novas faixas e pistas, atraindo mais veículos e os incentivando a trafegarem por ali, um erro tremendo.

Governo e prefeitura, muito pelo contrário, deveriam desestimular a utilização dessas vias, dando outras alternativas, tanto por meio de transporte individual e, principalmente, transporte público. Inclusive já escrevemos um artigo com uma ideia de ligação ferroviária pela Marginal Tietê entre Guarulhos e Osasco.

O Rodoanel, embora uma obra controversa, já que está em construção, deveria cumprir com o seu papel e tirar o maior número possível de veículos das marginais, mas justamente o trecho Norte que, teoricamente, faria isso, está com as obras inacabadas. Difícil. Sem contar seus pedágios. Para quê colocar pedágios, sabendo que isso pode inibir alguns motoristas de utilizá-lo, mesmo o caminho pela Marginal sendo maior e com mais trânsito?

E as rodoviárias? Não seria o momento de se pensar na construção de outras em regiões cujas linhas de ônibus dependam menos das marginais? No passado se falou em construir novos terminais na Vila Sônia e até em Itaquera. Até o momento, nada de concreto.

Jogaram tudo lá na Tietê e, se virem. Assim que enxergamos todas as ações e diretrizes que envolvam essa via.

Mais uma vez: precisamos repensar a utilização das Marginal Tietê e, talvez, da Pinheiros também. Elas são muito sensíveis a esse tipo de situação.

Algumas rodovias possuem alternativas. Anhanguera tem a Bandeirantes. Imigrantes possui a Anchieta. A Dutra possui a Ayrton Senna e Carvalho Pinto e parte do trecho. Mas, e Marginal Tietê? Por enquanto, nenhuma. Em situações de acidente, é sentar a chorar mesmo, usando aí um jargão popular.

Triste é saber que muito provavelmente dirão que esse acidente foi algo isolado e que não há a necessidade de ações mais severas para minimizar ou reduzir a dependência da Marginal Tietê. Pior, talvez no futuro, alguém possa vir a ter a brilhante ideia de ampliá-la ainda mais, assim como fizeram em 2010, com a construção daquela pista central que se mostrou inútil.

As projeções são pessimistas. Continuaremos extremamente dependentes das marginais por muitos anos. E acidentes assim poderão ocorrer. E o poder público continuará inerte. Afinal de contas, é muito atrevimento fazer algo que “prejudique” o transporte individual, pela ótica dos nossos governantes.