52df94ecfff996a8fec8566607d6c726_XL.jpg
Obras da Linha 6-Laranja na zona norte (Foto: Diego Padgurshi/Folhapress)

A Linha 6-Laranja ainda é uma incógnita perante o governo estadual. Desde a paralisação de suas obras há mais de três anos, o executivo vem tentando agir de tal forma que as obras sejam retomadas, porém tudo em vão até o momento.

Mas parece que agora, há uma chance de a construção da linha ser destravada antes do prazo de caducidade do contrato, prevista para o próximo dia 11 de novembro. É o que mostra uma reportagem do jornal Valor Econômico.

Segundo a notícia, o grupo espanhol Acciona se tornou favorito a comprar a concessão da Linha 6-Laranja do consórcio Move São Paulo. Trata-se de um negócio, considerando as dívidas, superior a R$ 1 bilhão.

As negociações, porém, correm contra o tempo. As partes precisam de consenso ao menos para um memorando preliminar de entendimentos. O consórcio tem até o fim do dia de hoje para levar o documento ao governo de São Paulo, para evitar a caducidade do contrato de concessão. Fontes próximas ao governo paulista disseram ao jornal Valor que, sem uma sinalização concreta da venda, não haverá prorrogação do prazo, e o contrato será anulado.

O avanço dos espanhóis representa uma mudança de rumo para o futuro da Linha 6. Até pouco tempo atrás, os chineses da CR20 estavam liderando as tratativas e em vias de assinar um acordo final para a transação, mas as conversas perderam ritmo com mudanças em questões contratuais não previstas, segundo fontes próximas ao tema.

O jornal Valor apurou que já havia até mesmo uma minuta de contrato com a CR20, mas que ela voltou completamente “rabiscada”, cheia de alterações. Pouco dias depois, a Acciona, que já estava afastada das conversas, ressurgiu.

Em valores atualizados, o custo da obra é de R$ 12 bilhões. Cerca de 5% foram executados até setembro de 2016, data da interrupção das obras. A caducidade da concessão foi proclamada em 2018. O decreto do governo, porém, dava um prazo para que a anulação tivesse efeito. Inicialmente, a data-limite era agosto, mas foi prorrogada para 11 de novembro, com a expectativa de que o Move São Paulo conseguisse fechar a venda.

O governo prefere evitar a caducidade. Caso seja necessário fazer uma nova licitação, o processo poderá levar até dois anos. Hoje, o Estado não tem sequer auditoria dos investimentos realizados. Já no caso de uma transferência a outro controlador, estima-se que a obra poderia ser retomada em 180 dias a partir da assinatura.

Neste momento, o Move São Paulo luta contra o tempo, em duas frentes de conversas simultâneas. O grupo não desistiu de alinhar as questões com a CR20. Contudo, houve uma convergência entre as visões com os espanhóis. Caso o acordo preliminar seja firmado, a expectativa é que a operação seja oficializada em até três meses. Nesse período, haveria nova rodada de negociação, inclusive com o governo, que já demonstrou disposição em rediscutir os prazos com o novo controlador.

Procurada, a Acciona não se manifestou. O governo afirmou, em nota, que as tratativas ocorrem entre concessionária e potencial comprador e que, ao poder concedente, cabe avaliar a capacidade financeira e operacional da empresa.

Para o Plamurb, realmente o melhor cenário seria o repasse do consórcio para uma nova empresa, o que poderia proporcionar o retorno das obras o mais breve possível e, assim, garantir a sua conclusão o quanto antes, beneficiando os moradores de uma das regiões mais carentes de transporte em massa, como é o caso da zona norte da cidade.

Em todo caso, esperamos que o desfecho seja positivo, já que, segundo os prazos estipulados pelo governo lá em 2013, já era para um trecho da Linha 6-Lranja estar em pleno funcionamento. Diante de todos esses atrasos, é pouco provável que a linha já esteja em operação integral antes do ano de 2025.

Sobre a empresa Acciona

Segunda a página da própria empresa, a Acciona Brasil atua no país há 22 anos.

Ela já realizou grande projetos no País como dois lotes do trecho norte do Rodoanel Mario Covas, em São Paulo e Guarulhos (SP) e o Terminal 2 do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), no qual aplicou a tecnologia inovadora do equipamento Kugira, maior dique flutuante do mundo para fabricação de caixões de concreto pré-moldado.

Também foi responsável pelas reformas, em São Paulo, do complexo Estúdio Vera Cruz Filmes, das estações da Luz e Júlio Prestes (convertida na Sala São Paulo de concertos) e do edifício Martiniano de Carvalho, atual sede da Telefônica. A empresa também venceu licitações para a construção de linhas e estações de metrô em São Paulo (SP) e Fortaleza (CE).

Na área de saneamento, por meio da Acciona Agua, realizou a assistência técnica na operação e manutenção da ETE Arrudas (MG) e atualmente responde por obras de sistemas de esgoto em São Gonçalo (RJ) e Santa Cruz do Capibaribe (PE).

Na área de Concessões, a Aciona Rodovia do Aço realizou durante 10 anos a operação da Rodovia Lúcio Meira (BR-393), em um trecho de 200 quilômetros de extensão, passando por 7 municípios da região sul do Estado do Rio de Janeiro.