Expresso_Turistico (800x600)
Trem do Expresso Turístico (Foto: Peter Louiz/Wikipédia)

O Expresso Turístico é um serviço ferroviário inaugurado em 18 de abril de 2009 pela Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM) e pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Tem como objetivo integrar pontos de interesse turístico localizados ao longo da via férrea.

A viagem é feita a bordo de uma composição, formada por dois carros de aço inoxidável fabricados no Brasil na década de 60 e tracionados por uma locomotiva a diesel, da CPTM. Cedidos pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), os vagões (o nome correto é carro) foram totalmente restaurados pela CPTM. Ao longo do percurso sobre os trilhos, monitores dão informações históricas sobre a ferrovia paulista e as estações da CPTM.

Atualmente são três rotas que se utilizam das vias operacionais da empresa e se alternam em datas ou finais de semana específicos e pré-determinados. São elas, Jundiaí, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba, esta última, de longe, a mais procurada, com espera que chega a 3 meses.

Mas o que poucos se lembram é que quando foi criado, o projeto previa seis rotas divididas em duas fases, sendo que apenas a primeira, que corresponde à metade das rotas, saiu do papel. O mais interessante é que duas delas eram rotas de final de semana, ou seja, o passageiro sairia na sexta à tarde ou à noite e retornaria no domingo. Vamos a elas:

São Roque

Essa rota usaria os trilhos da Linha 8-Diamante. Como o trecho entre Itapevi até a referida cidade ainda pertence à CPTM, não haveria problemas de cessão de faixas e horários. O traçado teria cerca de 64 km e seria feito em 2h15, considerando o tempo de transbordo de 20 minutos em Itapevi, já que há uma diferença de bitola entre a referida cidade até São Roque. O nome desse seria Trem do Vinho.

A partida seria da Estação Luz por volta das 8h e a chegada em São Roque, às 10h15. O retorno se daria às 16h30 com chegada às 18h45 na região central de São Paulo.

Aparecida

Essa seria uma das duas rotas de final de semana, ou seja, a saída se daria na sexta, podendo ser à tarde ou à noite e, o retorno, no domingo. Denominado de Trem dos Romeiros, a rota teria 187 km e seria feita em 5h.

Usaria os trilhos da Linha 12-Safira e, após a Estação Engenheiro Manoel Feio, entraria nos trilhos da Variante do Parateí rumo ao Vale do Paraíba, onde, atingiria a famosa cidade religiosa.

A partida seria da Estação Luz por volta das 15h da sexta-feira, com chegada prevista às 20h do mesmo dia. No domingo, a viagem de volta começaria também às 15h.

O retorno poderia ser realizado via modal ferroviário ou rodoviário, a depender da escolha do passageiro. Esse roteiro faria parte da Fase 2, que seria lançada em 2011.

Campos do Jordão

A outra rota de final de semana seria essa. A novidade é que seriam duas viagens distintas e prestadas por empresas diferentes, onde seria necessária uma baldeação na cidade de Pindamonhangaba.

Entre São Paulo e Pindamonhangaba, a rota seria operada pela CPTM em uma extensão de 160 km feita em 4h15. Após chegar ao local, seria necessária uma transferência para a Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), que finalizaria a viagem até Campos do Jordão, com um tempo estimado de 2h30 em 47 km de extensão, totalizando quase 7h de percurso.

Assim como Aparecida, o retorno poderia ser realizado via modal ferroviário ou rodoviário, a depender da escolha do passageiro. Chamado de Trem da Montanha, esse roteiro também faria parte da Fase 2.

Expresso Turístico (1280x905)
Rotas do Expresso Turístico (Foto/confecção: Thiago Silva)

Provavelmente no caso das duas rotas de final de semana, haveria algum tipo de parceria com hotéis ou pousadas locais, de modo que pudessem acomodar os passageiros durante o intervalo de descanso das viagens ou no passar da noite.

Infelizmente não há planos para nenhuma dessas rotas saírem do papel.  Entramos em contato com a CPTM a resposta foi a seguinte:

“Oi Thiago, boa tarde. Não há projetos de Expresso Turístico para esses destinos. Agradecemos seu contato. ”

Para o Plamurb seria interessante mais serviços desse tipo. Sabemos do custo alto, mas talvez, caso fizessem uma concessão para o setor privado ou uma Parceria Público-Privado (PPP) apenas para essas rotas novas, talvez elas pudessem sair do papel.

De uma maneira geral, se já é difícil tirar do papel um trem regional ligando São Paulo a Campinas, o que dizer de ligações turísticas que, muitas vezes é vista como estorvo, visto que a preservação ferroviária no Brasil é muito fraca.