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Centro Aberto no Largo de São Bento (Foto: Prefeitura de São Paulo)

O Programa Centro Aberto foi implantado na gestão de Fernando Haddad (PT) e consiste, basicamente, em recuperar alguns locais do centro da cidade, devolvendo a região para as pessoas e oferecendo equipamentos de lazer. Há toda uma preocupação em tornar o centro, uma região de parada e não apenas de passagem.

Atualmente restrito ao centro da cidade, o Programa deixará de ser restrito a essas regiões e invadirá bairros fora da área central de São Paulo.

Segundo a página da Prefeitura de São Paulo, após diversos estudos da SP-Urbanismo que levaram em conta potencialidades de transformação de novas centralidades, foram selecionados os seguintes locais para receber o Programa: Avenida Dr. Antônio Maria Laet (Tucuruvi), Largo do Clipper (Freguesia do Ó), Praça Padre Bento (Mooca), Praça Ministro Costa Manso (Sé) e Praça Oito de Setembro (Penha).

Atualmente esses lugares apresentam condições desfavoráveis ao uso. O Largo do Clipper, por exemplo, apresenta uma área de circulação restrita ao pedestre, fragmentado devido ao estacionamento de veículos e com canteiros que geram caminhos desconexos. Ainda assim, é bastante frequentado pela população do entorno.

Situada no bairro do Glicério, região central, a Praça Costa Manso também recebe um bom público, que a utiliza para diversas atividades. A sua conservação, no entanto, não é das melhores, visto que os brinquedos estão quebrados e a iluminação é ruim. Também pode-se perceber a deficiência de mobilidade, uma vez que as pessoas atravessam fora da faixa de pedestre, trafegam na rua e mal conseguem acessar essa área de lazer, graças aos veículos estacionados que a “escondem”.

Por se tratar de áreas com intenso fluxo de pedestres e veículos, o objetivo do Programa Centro Aberto, em sua terceira fase de implantação, é realizar intervenções que garantam a segurança e conforto no acesso aos espaços públicos. Para isso, o projeto prevê, além de implantação dos mobiliários já conhecidos – como bancos e iluminação –, novas faixas de pedestres e o alargamento de calçadas – novidade em relação às etapas anteriores do Projeto, onde essa ação foi desenvolvida com pintura de piso.

As cinco unidades já possuem anteprojeto urbanístico elaborado, em fase de aprovação final com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT). As obras do Centro Aberto serão feitas pelas Subprefeituras locais e o mobiliário implantado pela SP Urbanismo. A manutenção desses espaços ficará a cargo de um operador contratado pela Prefeitura, que ficará responsável pela disponibilização e conservação dos equipamentos.

A seleção de cinco centralidades de bairro integra a Fase 3 do Programa Centro Aberto e segue as diretrizes que caracterizam o programa desde o início, com a priorização ao pedestre e o suporte à permanência, com as adaptações necessárias para cada local estudado. Nas etapas anteriores, foram implantadas cinco unidades na região central. Primeiro, em caráter experimental, entre outubro e dezembro de 2014, no Largo São Francisco e Largo do Paissandu. Depois, após a aprovação e incorporação por parte da população, outros três foram desenvolvidos: Largo São Bento, Rua Galvão Bueno e Largo General Osório.

O impacto positivo, após a implantação do Programa, é evidente nesses locais. Pesquisas da SP Urbanismo mostram que a experiência de andar na Rua Galvão Bueno é considerada como boa ou muita boa por 86% dos usuários. No Largo General Osório o número de crianças que utilizam o espaço, comparado ao período antes de intervenção, aumentou oito vezes no meio da semana e dez vezes aos sábados. Já no Largo São Francisco, além do conforto, já que hoje (2017) 50% das pessoas sentam em locais confortáveis, contra apenas 1% registrado anteriormente, há evidências de melhora econômica para os comerciantes do entorno, que relatam um aumento de 40% no faturamento.

Em 2017, o Plamurb esteve em alguns dos locais e fez uma breve análise. Clicando aqui, você pode relembrar. De uma maneira geral, o blog fica satisfeito com essa ampliação do programa, já que muitos locais da cidade não possuem áreas de lazer desse tipo, sendo que seus moradores não possuem tempo ou recursos para se deslocarem até as regiões com tais intervenções.

Felizmente é uma nova forma de pensar a cidade, deixando-a para quem é realmente o dono dela, no caso as pessoas. Que esse programa possa ser ampliado ainda mais, tornando a cidade mais agradável, acolhedora e humana.