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Rodovia paulista (Foto: Portal do Governo do Estado)

O estado de São Paulo sempre se destacou pela qualidade de suas rodovias e isso é inegável. Boa parte delas possuem um alto nível, proporcionando conforto e segurança para seus motoristas. Mas tudo tem um preço, literalmente falando. E esse preço é o famoso pedágio que pagamos de trechos em trechos.

Muitos são a favor, mas ao mesmo tempo reclamam dos valores que em certos casos são abusivos, mesmo com a justificativa do alto nível de qualidade. Há alguns meses, inclusive, escrevemos um artigo explicando sobre essa situação e as possíveis alternativas.

E como não poderia deixar de ser, hoje, dia 22 de outubro, foi divulgada a 23ª Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional do Transporte (CNT) elencando as melhores vias do país.

Das 20 melhores ligações rodoviárias avaliadas pelo órgão, 17 recebem investimentos do Programa de Concessões Rodoviárias do Governo do Estado de São Paulo – todas foram classificadas como ótimas.

A Rodovia D. Pedro I (SP 65) é considerada a melhor rodovia do país pela primeira vez, em ligação entre Campinas e Jacareí com acesso pela SP 340. O corredor é operado pelas Concessionárias Rota das Bandeiras e Renovias sob fiscalização da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Em segundo lugar, aparece a Rodovia dos Bandeirantes (SP 348), seguida do Corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto (SP 70), importante alternativa à Rodovia Presidente Dutra nas viagens entre São Paulo e Rio de Janeiro, no trecho até Taubaté.

Foram avaliados 108.863 quilômetros de rodovias. Outro dado apurado pelos técnicos da CNT demonstra que a malha rodoviária que passa por São Paulo é a melhor do Brasil, com 81,8% de sua extensão classificada como ótima ou boa. Considerando todo o país, 59% dos trechos avaliados apresentaram estado geral com classificação regular, ruim ou péssima.

Segundo o Portal do Governo do Estado, o Diretor Geral da Artesp, Giovanni Pengue Filho afirma que “a avaliação da CNT demonstra que São Paulo está no caminho certo ao delegar para o setor privados os pesados investimentos que são necessários para manter a qualidade da malha rodoviária sem abrir mão de uma forte regulação e fiscalização do setor”.

De acordo com a CNT, rodovias com pavimento em péssimo estado de conservação conferem um acréscimo médio do custo operacional do transporte da ordem de 91,5%. Na média nacional, considerando o atual estado da malha, o impacto é de 28,5% no custo operacional. São prejuízos que a malha concedida de São Paulo não agrega aos seus usuários.

Todo ano é a mesma coisa, a CNT divulga o ranking, o governo paulista se orgulha e o investimento rodoviário continua a todo vapor. Mas será que dá para se orgulhar muito? Não tanto quanto o governo vem fazendo.

Se o estado possui as melhoras rodovias, também possui alguns dos pedágios mais caros do país, como o do Sistema Anchieta/Imigrantes e o da Rodovia Washington Luís na cidade de Araraquara. Todo bônus sempre virá acompanhado de um ônus.

Pior do que isso é saber que um dos estados mais poderosos do país e considerados por alguns como a locomotiva do Brasil, apesar de receber esse apelido, sequer possui uma linha ferroviária ligando cidades importantes, como Campinas, Santos e São Paulo.

Infelizmente não dá para se vangloriar por isso, muito pelo contrário, é vergonhoso basear a locomoção pelo estado por meio de rodovias que recebem grandes aportes e possuem pedágios caros.

As ferrovias, muito mais importantes, tanto para o transporte de passageiros, quanto cargas, seguem esquecidas, abandonadas, sem investimentos e o pouco que vem sendo feito, pode se tornar um abacaxi, no caso do Trem Intercidades (TIC) para Campinas que, entre outros equívocos, pode usar trens movidos a biodiesel.

Bom será o dia onde sairá um ranking mostrando as melhorias ferrovias de passageiros e cargas, com números mostrando a redução de acidentes, poluição e custos para quem se utiliza desse tipo de modal.

É um grande erro pensar que ter apenas rodovias com alta qualidade é sinônimo de progresso. Sem ferrovia, dificilmente haverá uma verdadeira ascensão, não ao menos, para aqueles que enxergam nos trilhos um sinônimo de prosperidade.

Os que ainda preferem rodovias, sempre aplaudirão rankings similares a esse divulgado pela CNT, mesmo que para isso tenham que deixar um rim em uma praça de pedágio.

A título de curiosidade, segue a lista com as 20 melhores rodovias:

– Ligação Campinas – Jacareí; SP 065 – Rod. D. Pedro I e SP 340 Rod. Gov. Adhemar Pereira de Barros – Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Rota das Bandeiras e Renovias;

– Ligação São Paulo – Limeira; SP-310 / SP-348 Rod. dos Bandeirantes – Classificado como ótimo, o trecho é administrado e operado pela concessionária Autoban;

– Ligação São Paulo – Taubaté – SP 070 – Sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto; Classificado como ótimo o trecho é administrado pela Ecopistas;

– Ligação Bauru – Itirapina; SP 225 – Rod. Comte. João Ribeiro de Barros e Rod. Eng. Paulo Nilo Romano – Classificado como ótimo, o trecho é administrado pela concessionária Centrovias;

5°- Ligação São Paulo – Itaí – Espirito Santo do Turvo – SP-280/SP-255

Rod. Castello Branco e Rod. João Melão; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias ViaOeste, Rodovias das Colinas e SPVias;

– Ligação Campo Coxo – Eleutério – SP-191/SP-352 Rod. Wilson Finardi e Rod. Comendador Virgolino de Oliveira; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pela concessionária Intervias e pelo DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo);

– Ligação Piracicaba – Mogi Mirim – SP-147 – Rod. Engenheiro João Tosello; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pela concessionária Intervias;

– Ligação São Paulo – Uberaba – SP 330 – Rod. Anhanguera – Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Autoban, Autovias, Intervias e Entrevias;

– Ligação Barretos – Bueno de Andrade – SP 326 – Rod. Brig. Faria Lima – Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Triângulo do Sol e Tebe;

10° – Ligação Rio de Janeiro (RJ) – São Paulo – BR 116; Rodovia federal;

11º – Ligação Sorocaba – Cascata – Mococa – SP-075/SP-340/SP-342/SP-344

Rod. José Ermínio de Moraes, Rod. Santos Dumont, Rod. Gov. Adhemar Pereira de Barros (entre outros trechos que recebem outras denominações); Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Renovias, ViaOeste e Colinas;

12º – Ligação Araraquara – São Carlos – Franca – Itirapuã – SP-255/SP-318/SP-334/SP-345 –

Rod. Antônio Machado Sant´Ana, Rod. Eng. Thales de Lorena Peixoto Jr., Rod. Anhanguera, Rod. Cândido Portinari e Rod. Eng. Ronan Rocha; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pela concessionária Autovias;

13° – Ligação Engenheiro Miller (Avaré/SP) – Jupiá (Castilho/SP) – SP-209/SP-300

Rod. Marechal Rondon, Rod. Prof. João Hipólito Martins; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Rodovias do Tietê e Viarondon;

14° – Ligação São Carlos – S. J. da Boa Vista – S. J. do Rio Preto – SP-215/SP-350 Rod. Vicente Botta e Rod. Dep. Eduardo Vicente Nasser; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Renovias e Intervias;

15° – Ligação Ribeirão Preto – Borborema – SP-330/SP-333 – Rod. Carlos Tonani e Rod. Laurentino Mascari; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pela concessionária Triângulo do Sol;

16° – Ligação Belo Horizonte – São Paulo – BR 381; Rodovia federal;

17º – Ligação Limeira – São José do Rio Preto – SP-310/ SP-330 – Rod. Washington Luís e Rod. Rod. Anhanguera; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Autoban, Triângulo do Sol e Centrovias;

18º – Ligação Rio Claro – Itapetininga – SP-127 Rod. Antônio Romano Schincariol, Rod. Fausto Santomauro e Rod. Cornélio Pires; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pelas concessionárias Colinas e SPvias;

19º – Ligação São Paulo – São Vicente – Sistema Anchieta-Imigrantes; Classificado como ótimo, o trecho é administrado pela concessionária Ecovias;

20º – Ligação São Paulo – Curitiba – BR 116; Rodovia federal;