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Ciclovia na Marginal Pinheiros (Foto: Portal do Governo do Estado)

Em momento de tanta polarização política, defender um ponto de vista é o remédio certo para discussões acaloradas, principalmente quando esse ponto de vista foge do senso comum e vai contra aquilo que muitos ainda acreditam, mesmo com fatos mostrando o contrário. Com as ciclovias e ciclofaixas não foi, não é e não será diferente.

Desde sua implantação maciça, durante a gestão de Fernando Haddad (PT), atrelado ao ranço anti-bicicleta, estavam os comentários em relação a cor usada nas rotas ciclísticas.

Muitos acreditavam e, pasmem, ainda acreditam que a cor vermelha nada mais é do que uma propaganda política ou alusão a determinado partido. E, pior, não basta mostrar exemplos de outros países.

Quando a convicção está impregnada na cabeça, fica difícil abrir a mente para novas ideias ou pontos de vista contrários ao nosso. Isso é natural do ser humano. Eu, você, ele… Todos tem, de alguma forma, uma certa relutância em aceitar algo que acreditamos a vida toda ser o certo, ainda mais quando é algo considerado subjetivo.

No caso das ciclovias, entretanto, não há nada de subjetivo, muito pelo contrário, há uma lógica que explica a utilização da cor vermelha. Evidente que não é regra, mas está muito longe de ser propaganda política partidária, como foi exaustivamente divulgado por aí.

Pois bem, a cor vermelha das ciclovias é um padrão de sinalização horizontal usado para demarcar ciclovias e ciclofaixas.

O Volume IV do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, que trata da sinalização horizontal e que foi lançado em 2008 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em seu capítulo 4.4.2 deixa claro isso.

4.4.2 Padrão de cores:

  • Vermelha, utilizada para:

– Demarcar ciclovias ou ciclofaixas;

– Inscrever símbolo (cruz).

No referido manual, ainda é mostrada outras cores e a sua localização. Caso tenham interesse, cliquem aqui e vejam o manual completo. É muito interessante.

Outro manual, no caso da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), lançado em 2014, também define algumas normas e padrões usados nas demarcações de faixas viárias. Clique aqui e também leia.

Denominado de Manual de Sinalização Urbana, o Volume 13 trata exclusivamente do espaço cicloviário. No capítulo 1.5 que trata das considerações gerais, é descrito os dois padrões que podem ser usados em São Paulo:

Padrão I: a delimitação do espaço cicloviário é caracterizada pela pintura vermelha de toda a largura útil destinada à circulação de ciclos, acompanhando sempre as marcas longitudinais;

Padrão II: a delimitação do espaço cicloviário é caracterizada por uma linha interna vermelha acompanhando as marcas longitudinais;

Vejam que em ambos os casos se fala na cor vermelha, independente da pintura ser realizada em toda área da ciclovia ou em suas margens, padrão esse que está sendo usado pela prefeitura nas ciclofaixas.

Saindo um pouco das questões técnicas, o vermelho da ciclovia contrasta melhor com a cor escura do asfalto, o que acaba sendo uma forma de segurança para os ciclistas, já que quando não se tem a percepção de divisão de faixas, a incidência de invasões a acidentes pode ser maior. Para os motoristas de carros e ônibus fica melhor a identificação.

E fora do Brasil?

Fora do país muitas ciclovias também são identificadas pela cor vermelha, embora haja algumas delas nas cores verdes e até azuis. Vai depender da localidade ou do país. Na cor vermelha é possível ver em Madri, Amsterdã, Roma, Lisboa, Bruxelas, São Francisco e Estocolmo. Já em Nova York, Seul e Londres, predomina a cor verde nas faixas reservadas para os ciclistas.

Basta procurar pela internet que você verá muito vermelho por aí, e não significa propaganda política nenhuma, pelo contrário, é apenas um padrão adotado em vários países.

É de se lamentar que durante anos e, de forma reduzida nos dias atuais, a discussão sobre essa importante infraestrutura para os ciclistas se resuma a acaloradas picuinhas políticas, sendo que o mais relevante, dentro desse contexto, seria fomentar debates sadios sobre onde, quando e como implantar tais rotas.

A mobilidade ativa está aí e mesmo que muitos ainda tenham um ranço, a rede precisa ser ampliada o mais breve possível, mesmo que para isso, se retire uma faixa dos carros ou o estacionamento (na rua) daquele comerciante que quer privatizar uma parte da via.