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Trólebus no centro de São Paulo (Foto: Thiago Silva)

A prefeitura de São Paulo (PMSP) assinou os contratos com as empresas de ônibus referentes ao novo Edital de licitação. O processo se arrasta desde 2013.

Como houve a redução do prazo de concessão de 20 para 15 anos, alguns valores tiveram que ser alterados para se adequarem ao novo prazo. Atrelado a isso, muitas dúvidas surgiram, principalmente, sobre como essa redução impactaria no sistema de transporte.

Pensando nisso, os nossos colegas do Diário do Transporte, com exclusividade, fizeram alguns questionamentos importantes para a São Paulo Transporte (SPTrans).

Dentre as perguntas, duas delas nos chamaram a atenção e ligou o nosso sinal de alerta. Não se trata de nada sensacionalista ou alarmante, mas levando em conta a política da prefeitura em relação aos trólebus, é para se ficar atento. Antes de mais nada, caso queriam ver todas as perguntas feitas à prefeitura, cliquem aqui.

As questões de número 8 e 9, tratam, justamente sobre o famoso ônibus elétrico que anda sob fios. Vejam:

8 – Diário do Transporte: A aquisição de 50 trólebus está mantida e quando ela deve ser feita?

Resposta SPTrans: Os ajustes nas linhas assim como as alterações de tecnologia veicular ocorrerão de acordo com a fase de transição que consta no edital de licitação.

9 – Diário do Transporte: Quais são as linhas novas de trólebus?

Resposta SPTrans: Não haverá novas linhas. Haverá mudança de tecnologia na linha 390E/10 Term. Penha – Term. Pq. D. Pedro que atualmente opera com veículos do tipo padron e passará a ser operada por trólebus, utilizando rede aérea existente. Essa alteração de tecnologia estará condicionada a uma avaliação da rede aérea na ocasião da implantação.

No caso da questão número 8, a resposta foi muito vaga. No Edital consta que a frota de trólebus teria um acréscimo de 50 veículos, que provavelmente seriam usados na nova linha e distribuídos nas outras que já operam na cidade, de modo aumentar a oferta de lugares, uma vez que será feita a troncalização e reestruturação de outras linhas. A própria Avenida Celso Garcia será o palco de parte dessa reestruturação. Portanto, a SPTrans precisa manter firme essa posição de adquirir novos veículos elétricos por meio das operadoras.

Já a questão número 9, mostra o grande esforço da SPTrans em dificultar a criação de novas linhas ou a reativação delas. A linha 390E/10, no passado, tinha a numeração 2340/10, e fazia o mesmo traçado da atual.

Eles afirmam que a referida linha passará por uma troca de tecnologia, substituindo os ônibus comuns por trólebus, porém, com a condição de uma avaliação da rede aérea existente. O fato é que a rede aérea existente atualmente já é usada pelas linhas 2290/10 – Terminal São Mateus / Terminal Parque Dom Pedro II e 342M/10 – Terminal São Mateus / Terminal Penha.

Pela Avenida Celso Garcia, a partir da Rua Antônio de Barros para centro, a linha 2290/10 opera. A partir dessa mesma via para o sentido Penha, é a 342M/10 que opera. O único trecho onde não há rede é no quarteirão entre a Antônio de Barros e a Rua Cesário Galero.

Neste trecho, a rede foi rompida no sentido após um acidente, onde um veículo colidiu com um poste. Como na época não passava trólebus no sentido bairro, a rede aérea não foi reposta. Só fizeram isso no sentido centro. Entretanto, trata-se de um trecho de 100 metros, algo que é possível recuperar com um estalar de dedos, mesmo porque, esse tipo de situação (rede derrubada por conta de colisões em postes) é, de certa forma, comum no sistema.

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Local onde a rede foi rompida (Foto/confecção: Thiago Silva)

Se essa seria a tal avaliação da rede aérea, acreditamos que o problema já está resolvido. Não é possível que falta de rede em um trecho de 100 metros impossibilite o retorno de uma linha de trólebus tradicional.

A questão das subestações também não é problema, já que com que com as desativações de linhas no início dos anos 2000, há uma ociosidade, ou seja, os trólebus das duas linhas que circulam no trecho consomem muito abaixo da capacidade energética.

Como sempre batemos nessa tecla, quando o assunto é trólebus, a SPTrans coloca dezenas de obstáculos para a reativação de linhas ou criação de novas, mesmo quando envolve a utilização da infraestrutura existente. Já não basta a remoção da rede dos trechos inoperantes.

O Plamurb, defensor desse tipo de transporte, ficará atento e cobrará da SPtrans que a referida linha volte a operar com trólebus. A utilização dos trólebus deveria ser incentivada e não dificultada como a gestora municipal, muitas vezes, faz parecer.