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Via com lombofaixa, ilhas e ciclofaixa (Foto: Perkons)

Nas grandes cidades é comum convivermos com um tráfego agressivo, seja por conta do barulho, seja, principalmente, por conta da violência. Levando em conta que muitas dessas cidades são pensadas visando os veículos e deixando os pedestres em segundo plano, muitos órgãos de trânsito acabam por elaborar medidas que venham a dar mais segurança para as pessoas. E pensando nisso surgiu o termo “Traffic Calming”, que em português seria algo como “tráfego calmo” ou “tráfego moderado” ou “tranquilizando o tráfego”. São várias as traduções. De uma maneira geral, é uma forma de tranquilizar o trânsito preservando a vida do pedestre e também daqueles que dirigem, já que assim, muitos acidentes acabam por serem evitados.

O traffic calming é um conjunto de medidas de planejamento urbano e de tráfego que consiste na utilização de estruturas físicas como lombadas, estreitamento ou na mudança da geometria das vias, visando à redução da velocidade dos veículos a fim de aumentar a segurança dos deslocamentos de pedestres e ciclistas. Atrelado a isso, também se destaca a fiscalização e educação no trânsito como forma de ter sucesso ao implantar o traffic calming.

Na primeira metade do século XX, o traffic calming foi idealizado de forma a proteger as áreas residenciais do tráfego de passagem. Posteriormente, foi fundamentado principalmente em razão da segurança dos pedestres, da redução de ruído e da poluição produzida pelo tráfego. Outro fato relevante é que o tráfego de automóveis prejudica gravemente as funções sociais e de lazer desempenhadas pelo espaço público destinado às ruas. Um estudo de Donald Appleyard, professor de design urbano na Universidade da Califórnia, em Berkeley, observou que os moradores das ruas com tráfego mais leve tinham, em média, três vezes mais amigos e duas vezes mais conhecidos do que pessoas que moravam em ruas com tráfego pesado, mas com outras características semelhantes, como dimensões da via, renda dos moradores, etc.

Em grande parte do Século XX, as ruas foram projetadas apenas o objetivo de assegurar um bom fluxo do trânsito, esvaziando outras funções sociais das ruas. Sendo assim, a ideia do traffic calming é a ampliação dessas outras funções antes relegadas a um plano menor com o uso de técnicas de engenharia de tráfego.

Com base na descrição acima, vamos elencar algumas das principais medidas e intervenções que compõem o traffic calming de uma maneira geral:

  • Estreitamento da pista;
  • Rotatória;
  • Chicana (dispositivo que dificulta a livre passagem dos carros ou motocicletas na pista);
  • Almofadas anti-velocidade (elevações na pista que forçam o motorista a reduzir a velocidade);
  • Diminuição do raio de giro deixando a curva mais “fechada”;
  • Platô (pavimento diferenciado);
  • Ilhas;
  • Travessia elevada ou lombofaixa;
  • Lombada física;
  • Proibição de circulação de veículos de grande porte;
  • Lombada eletrônica;
  • Redução das velocidades em áreas muito adensadas;
  • Redução na largura das faixas de rolamento;
  • Sonorizadores;
  • Menos espaço para faixas de trânsito;
  • Aumento da calçada que, assim, serve para estreitar a largura das faixas de rolamento;
  • Cancelas;
  • Calçadões;
  • Ruas de lazer;
  • Pinturas de sinalização horizontal que “enganam” os motoristas forçando-os a reduzir a velocidade;
  • Alteração na geometria da via;
  • Implantação de ciclovias, ciclofaixas, corredores ou faixas exclusivas de ônibus;
  • Fiscalização mais presente;
  • Campanhas de educação;

Pelo Brasil, muitas dessas medidas foram implantadas com sucesso e acabaram por reduzir o número de acidentes de forma efetiva, além de melhorar o aspecto urbano e dando mais qualidade de vida para quem mora no entorno.

Falando da cidade de São Paulo, em especial, algumas dessas medidas foram colocadas em prática nos últimos anos, com maior destaque na gestão de Fernando Haddad (PT). Dentre elas, podemos destacar as reduções de velocidades nas vias, o “Área 40”, implantação de ciclovias, ciclofaixas e faixas de ônibus, lombofaixas nas alças de acessos de pontes e viadutos, alargamento das calçadas, seja de forma física ou pintada, redução da largura das faixas de rolamento, fechamento da Avenida Paulista e etc.

Chegamos, inclusive, a falar sobre algumas dessas medidas em publicações passadas, sendo que na última publicação correlata, falamos da Visão Zero.

O fato é que precisamos seguir em frente e ir acalmando nossas vias e devolvendo-as para as pessoas. Isso deixa o local mais tranquilo, mais harmonioso, mais cheio de vida e, principalmente, mais seguro.

A seguir, algumas imagens de exemplos do Traffic Calming. Pegamos aqueles menos conhecidos, de forma a ilustrar melhor para você, caro leitor.

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Faixa de pedestre tridimensional (Foto: El País)
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Platô (Foto: Perkons)
Nenão recomenda instalação de sonorizadores na rotatória do Parque de Exposições (640x375)
Sonorizadores (Foto: Perkons)
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Chicanas (Foto: Perkons)
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Almofadas (Foto: Perkons)